
Clube Capitolinas usa literatura para combater violência contra mulheres
Mila Nascimento, sobrevivente de violência doméstica grave, fala no Conexão Cultural sobre o Clube Capitolinas, criado em 2024.
O programa Conexão Cultural recebeu a escritora Mila Nascimento para contar a história do Clube Capitolinas, coletivo de leitoras e escritoras criado em 2024 com a proposta de fortalecer a presença das mulheres no universo literário. Reunindo integrantes de 15 a 89 anos, vindas de diferentes regiões do Brasil, como Rio de Janeiro, Minas Gerais, o Sul do país e o interior de São Paulo, o grupo adotou o lema 'ninguém pode parar uma mulher que lê'.
Mila contou que o clube nasceu de um desejo pessoal de conversar com mulheres sobre as diversas formas de violência que sofrem. Sobrevivente de um episódio grave de violência doméstica, que resultou em uma fratura na coluna, ela encontrou na literatura, tanto na escrita quanto na leitura, um espaço de acolhimento que quis compartilhar com outras mulheres. Segundo ela, o objetivo nunca foi trazer teoria feminista, mas usar histórias e personagens para que as participantes se identificassem e reconhecessem situações de violência em suas próprias vidas.
A escritora destacou que o isolamento é um dos principais mecanismos da violência contra a mulher, e que o coletivo funciona como uma rede de fortalecimento. Ela relatou casos concretos de mulheres que, após entrarem no clube, conseguiram sair de relacionamentos abusivos ou transformar situações que pareciam impossíveis de mudar. Hoje os encontros também contam com a participação de autores conhecidos, como Betânia Pires, vencedora dos prêmios Sesc e Jabuti, além de Francisco Azevedo e Aon Souza.
Mila explicou ainda a origem do nome Capitolinas, inspirado em Capitu, personagem de Dom Casmurro, de Machado de Assis, livro que já leu cinco vezes em diferentes fases da vida. Para ela, o nome remete a 'caput', cabeça em latim, numa homenagem à inteligência feminina historicamente desvalorizada. O coletivo já participou da Flip, maior festa literária do país, realizada em Parati, onde levou mais de 20 autoras e lançou publicações em parceria com outros coletivos literários, além de manter um selo próprio para dar voz a essas escritoras.
Ao encerrar a conversa, Mila reforçou o convite para que mais pessoas leiam, defendendo que a leitura ajuda a desacelerar em meio à era digital e contribui até para a saúde, reduzindo ansiedade e estresse.
