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Macacos-prego da Mata de Santa Genebra mudam dieta sem milho experimental

Estudo da Unicamp mostra que macacos-prego da Mata de Santa Genebra passaram a comer mais plantas exóticas da área urbana de Barão Geraldo.

É O BICHO · 2026-10-27

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O quadro É o Bicho desta semana mostra os bastidores de uma pesquisa da Unicamp que comparou os hábitos alimentares dos macacos prego da Mata de Santa Genebra, em Barão Geraldo, com um levantamento feito há cerca de 30 anos. O resultado chamou atenção dos pesquisadores: o grupo passou a consumir uma quantidade muito maior de espécies vegetais exóticas do que antes.

O aluno João Vitor acompanhou os macacos e coletou amostras de fezes para identificar sementes de frutos consumidos. Trinta anos atrás, havia uma plantação de milho experimental da Cargill ao lado da mata, e os macacos chegavam a tirar cerca de 30% da dieta desse milho. Hoje a plantação não existe mais, e a expectativa inicial era de que o grupo passasse a ter uma alimentação mais natural, dentro da própria floresta. Mas João Vitor descobriu outra coisa: os macacos saem para a arborização do bairro e comem plantas como a amora, entre várias outras. Mesmo com o esforço da prefeitura e o pedido para que as pessoas não alimentem os animais, de vez em quando ainda se vê um macaco com pão ou bolacha.

Como a amora não é nativa do Brasil, vindo originalmente da região da China, a pesquisa passou a focar justamente nessas espécies exóticas encontradas nas fezes. A preocupação dos pesquisadores é que os macacos levem essas sementes para dentro da mata, o que poderia dificultar a recuperação da vegetação nativa. O mesmo vale para plantas cosmopolitas, como a goiaba, colhida em quintais do bairro. Até agora, segundo o orientador da pesquisa, os resultados não indicam um problema grave para a manutenção das espécies da floresta, mas o alerta serve para orientar o planejamento da arborização urbana, evitando espécies exóticas. Já o consumo de alimentos ultraprocessados, como pão, pode sim trazer problemas de saúde para os animais.

A pesquisa também discute o papel da sazonalidade na vida do grupo. No verão chuvoso há grande frutificação na mata, enquanto no inverno seco a oferta de frutos cai, e esse ciclo natural chega a regular a reprodução dos macacos. Se houver alimentação farta demais durante a época seca, os animais podem não passar pelo período de perda de peso e acabar tendo mais filhotes. Por isso, o ideal é manter a dieta baseada em frutos e sementes nativas, como as do jequitibá, do jatobá e do mamãozinho da mata, espécies presentes em bom volume no fragmento, que é o segundo maior do município de Campinas.

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