
Estúdio Câmara discute como tendências virais nas redes sociais mudam comportamentos
Psicólogos analisam no Estúdio Câmara por que modismos das redes sociais parecem normais e como isso influencia decisões do dia a dia.
O Estúdio Câmara desta sexta-feira, 25 de setembro, recebeu dois convidados da área da psicologia para discutir um fenômeno cada vez mais presente no cotidiano: o poder das tendências que circulam nas redes sociais e sua capacidade de influenciar comportamentos reais. Participaram do programa o psicólogo Danilo Freitas, especialista em psicologia da saúde e terapia cognitivo comportamental, e a psicóloga e neuropsicóloga Maria Luciana de Paula, especialista em neuropsicologia e ecoterapia.
A conversa partiu de um exemplo recente que viralizou entre jovens: a ideia de não tomar banho antes de um encontro amoroso para preservar o cheiro natural do corpo e, supostamente, potencializar a atração. A partir desse caso, os convidados explicaram por que conteúdos repetidos nas telas podem passar a impressão de que determinado comportamento é comum ou aceitável, mesmo sem representar a realidade da maioria das pessoas.
Danilo Freitas destacou que observar o comportamento de outras pessoas sempre fez parte do processo evolutivo humano, mas hoje esse mecanismo é explorado por conteúdos que viralizam e criam uma falsa sensação de prevalência social. Segundo ele, muitos vídeos ainda se apoiam em uma linguagem que imita a ciência, funcionando como prova social e aumentando a chance de as pessoas reproduzirem aquele comportamento, ainda que ele não tenha respaldo real ou coletivo.
Maria Luciana de Paula complementou a discussão explicando o papel da dopamina nesse processo, já que o cérebro associa a repetição de conteúdos a motivação, prazer e sensação de pertencimento a um grupo. Ela citou o psicólogo Albert Bandura para reforçar que o comportamento humano é aprendido por observação, e defendeu o desenvolvimento do pensamento crítico como ferramenta para diferenciar o que realmente faz sentido individualmente daquilo que é apenas reproduzido por pressão social.
Os dois especialistas também retomaram temas discutidos em edições anteriores do programa, como a infoxicação, o excesso de informações que satura a capacidade de análise crítica, e o rage bait, estratégia usada para provocar raiva e prender a atenção do público mesmo diante de conteúdos sem sentido. A recomendação dos convidados foi clara: checar evidências antes de aderir a qualquer tendência e exercitar a autonomia diante do que circula nas redes.
