
Procrastinação: psicólogo explica por que o cérebro adia tarefas
No A Gente Explica, Rafael Polisel mostra como o cérebro busca alívio imediato e adia o custo de tarefas incômodas até o prazo apertar.
Por que é tão difícil começar uma tarefa incômoda mesmo sabendo que ela precisa ser feita? No episódio do A Gente Explica, da Rádio Câmara Campinas, o psicólogo Rafael Polisel explica que a resposta está em como o cérebro humano lida com consequências de curto prazo, tanto as negativas quanto as positivas.
Segundo Polisel, ao procrastinar algo a pessoa busca um alívio imediato: evita a dor de iniciar uma atividade custosa e recorre a um estímulo que traz prazer e também funciona como alívio. Esse mecanismo explica por que a distração costuma vencer a obrigação na disputa pela atenção no momento presente.
O psicólogo destaca que o custo de adiar uma tarefa fica distante enquanto o prazo final ainda não chegou. Conforme esse prazo se aproxima, porém, a consequência negativa deixa de ser abstrata e passa a ser sentida como presente, o que muda completamente a relação da pessoa com a tarefa adiada.
É justamente essa mudança que gera a sensação de urgência. De acordo com Polisel, quando a punição por não entregar um relatório ou cumprir uma tarefa se torna iminente, o cérebro passa a evitar essa dor específica, o que motiva o engajamento repentino com a atividade antes negligenciada.
Por isso, explica o psicólogo, muita gente só consegue produzir sob pressão: a procrastinação se consolidou como um mecanismo de curto prazo, em que a dor, antes distante, se torna presente e passa a exigir resposta imediata.
