Estúdio Câmara

Estúdio Câmara debate a psicologia por trás da roupa de ficar em casa

Psicólogas explicam no Estúdio Câmara como pijamas e roupas de casa afetam humor, rotina e autoestima, e quando o hábito vira alerta.

Estúdio Câmara · 2026-09-29

saúde emocionalpsicologiacomportamentoautocuidadohome officebem-estar
Ouça a edição na íntegra

O Estúdio Câmara desta segunda-feira recebeu duas psicólogas para discutir um tema presente na rotina de praticamente todo mundo: a relação afetiva com as roupas usadas dentro de casa. A conversa partiu do conceito de cognição vestimentar, popularizado por pesquisadores em 2012, que estuda como as roupas influenciam atenção, comportamento e percepção. A ideia serviu de ponto de partida para entender por que peças como pijamas e shorts largos despertam tanto conforto.

A psicóloga Priscila Mayumi, especialista em terapia cognitivo-comportamental, explicou que o conforto da roupa de casa está ligado ao alívio da performance exigida durante o dia a dia fora de casa, quando é preciso se arrumar, se maquiar e manter uma postura. Segundo ela, o problema surge quando esse conforto passa a substituir o cuidado pessoal, favorecendo procrastinação, queda de autoestima e, em casos mais graves, contribuindo para quadros de ansiedade e depressão.

Já a psicóloga Aline Domínguez, especialista em neuropsicologia aplicada à neurologia infantil pela Unicamp e formada pela PUC Campinas, chamou atenção para a forma como o cérebro associa roupas leves ao descanso. Por isso, segundo ela, é fundamental que quem trabalha em home office troque de roupa e siga uma rotina matinal, como pentear o cabelo e fazer a primeira refeição, evitando que o corpo entenda o expediente como uma extensão do sono.

As convidadas também trataram do apego emocional a peças antigas, muitas vezes ligadas a lembranças afetivas de outras fases da vida. Para Priscila, é possível acessar essas memórias sem depender fisicamente da roupa surrada, já que o apego excessivo pode levar ao acúmulo desordenado no guarda-roupa. Aline reforçou a importância do desapego consciente, destacando que abrir espaço para peças novas faz parte de reconhecer que a pessoa muda ao longo do tempo e que roupas guardadas por anos podem não fazer mais sentido no presente.

A entrevista reforçou como um hábito aparentemente simples, como escolher a roupa para ficar em casa, revela questões mais profundas sobre autocuidado, rotina e saúde emocional, temas centrais da conversa desta edição do Estúdio Câmara.

Outras edições de Estúdio Câmara