Estúdio Câmara

Estúdio Câmara discute os limites entre comer bem e a obsessão por alimentação saudável

Nutricionista e psicóloga explicam na Rádio Câmara Campinas quando a busca por alimentação saudável pode evoluir para a ortorexia nervosa.

Estúdio Câmara · 2026-11-03

ortorexia nervosasaúde mentalalimentação saudávelEstúdio Câmaranutriçãocomportamento alimentar
Ouça a edição na íntegra

O Estúdio Câmara desta terça-feira, dia 3 de novembro, levou ao ar um debate sobre a relação das pessoas com a comida e sobre até onde o cuidado com a saúde é realmente saudável. A conversa partiu de uma cena comum do dia a dia: o momento em que alguém, no supermercado, passa a ler rótulos de forma compulsiva, compara produtos sem glúten, sem lactose ou sem açúcar e acaba paralisado diante de tantas opções consideradas ideais.

Para tratar do tema, o programa recebeu a nutricionista clínica Geise Cordeiro, especialista em seletividade e nutrição familiar, e a psicóloga Tainara Fonseca, especialista em Terapia Cognitivo Comportamental pela USP e no tratamento de transtornos alimentares pela Unicamp e pelo Abolin. As convidadas apresentaram a ortorexia nervosa, termo criado em 1997 pelo médico americano Stephen Bratman para descrever a obsessão por comer apenas alimentos considerados puros. Segundo elas, só em 2016 surgiram as primeiras propostas de critérios diagnósticos para o quadro, que ainda não é reconhecido oficialmente pela Organização Mundial da Saúde nem consta no manual de transtornos mentais.

Durante a entrevista, Geise Cordeiro explicou que a ortorexia se desenvolve quando a busca por rótulos limpos e comidas puras passa a gerar sofrimento, medo e culpa, afastando a pessoa de convívios sociais como jantares e aniversários pela falta de controle sobre os ingredientes servidos. Já Tainara Fonseca destacou que a diferença entre um hábito saudável e a obsessão está na flexibilidade: enquanto o hábito saudável permite falhas e ajustes, a obsessão não admite nenhum tipo de imperfeição e é acompanhada de ansiedade, culpa e medo constantes.

As especialistas também alertaram para as consequências físicas da restrição alimentar excessiva em nome de uma supposta pureza dos alimentos, como cansaço excessivo, queda de cabelo e unhas fracas, resultado da eliminação de grupos alimentares inteiros sem orientação adequada. Para elas, o desafio é reconhecer os sinais de rigidez sem transformar toda busca por qualidade de vida em patologia, preservando o equilíbrio entre corpo e mente.

O programa também reforçou que a Rádio Câmara Campinas está no ar desde a última quarta-feira, funcionando 24 horas pela internet enquanto aguarda a concessão de frequência FM solicitada ao Congresso Nacional, e convidou os ouvintes a participarem da audiência pública marcada para o dia 6 de novembro, às 19h, na Câmara de Campinas, para debater o projeto de lei orçamentária do município.

Outras edições de Estúdio Câmara