Estúdio Câmara

Paladar infantil em adultos: especialistas explicam no Estúdio Câmara

Nutricionista e psicóloga debatem no Estúdio Câmara as causas da seletividade alimentar que persiste da infância até a vida adulta.

Estúdio Câmara · 2026-10-26

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O Estúdio Câmara desta segunda-feira, 26 de outubro, recebeu duas especialistas para discutir um tema que ainda carrega muito preconceito: a dificuldade de adultos em comer frutas, verduras e legumes, ou de experimentar alimentos novos. Comportamento muitas vezes rotulado como frescura, essa restrição alimentar pode, na verdade, ter origem na infância e acompanhar a pessoa por toda a vida, trazendo constrangimento, conflitos sociais e até limitações na hora de viajar ou sair com amigos.

Participaram da conversa a nutricionista clínica, esportiva e funcional Iazmin Menik e a psicóloga e neuropsicóloga Laura Godoi, especialista em desenvolvimento infantil atípico. Iazmin contou que recebe no consultório muitos adultos com dificuldade para consumir vegetais e frutas, o que a longo prazo pode gerar deficiências nutricionais e perda de peso, além de afetar o convívio social. Segundo ela, boa parte desses pacientes carrega o problema desde a infância, mas muitas vezes evita comentar sobre isso justamente por medo do julgamento.

Laura Godoi explicou que, em diversos casos, a rejeição a determinados alimentos não é escolha, mas uma resposta sensorial real. Texturas, cheiros e aparências podem provocar enjoo e náusea genuínos, resultado de uma alteração na forma como o cérebro processa esses estímulos. Por isso, segundo a psicóloga, a avaliação precisa envolver uma equipe multidisciplinar, com nutricionista, psicólogo, fonoaudiólogo para questões orofaciais e terapeuta ocupacional, capaz de identificar se o gatilho está na cor, na textura ou em outro aspecto do alimento.

As convidadas também destacaram o papel da família na formação do paladar. Para Iazmin, a criança tende a refletir os hábitos alimentares oferecidos em casa, embora existam exceções em que, mesmo com pais que comem de forma saudável, o filho ainda rejeita certos alimentos. Entre as estratégias sugeridas estão a oferta de preparos e texturas diferentes, como transformar uma fruta rejeitada em bolo, além de reorganizar a rotina familiar, incluindo o sono e o hábito de fazer as refeições à mesa, fatores apontados por Laura como essenciais para consolidar uma relação mais tranquila com a comida.

Ainda nesta edição, a atração trouxe informações sobre a pauta da Câmara de Campinas, que vota às 18h propostas sobre transparência de preços em supermercados e um novo símbolo de acessibilidade, além do lembrete sobre o prazo de pré cadastro para vagas na educação infantil, que termina em 3 de novembro.

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