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Livro celebra 50 anos de carreira de Djavan e é tema no Aplausos

Professor Thiago Ramos e Matos apresenta a biografia reportagem 'Djavan, dizem que o amor atrai' e comenta a trajetória do cantor alagoano.

Aplauso · 2026-09-18

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O programa Aplausos recebeu o professor e doutor em língua portuguesa Thiago Ramos e Matos para uma conversa sobre os 50 anos de carreira do cantor e compositor alagoano Djavan. A entrevista, conduzida por Carmen Del Pino, acontece enquanto o artista roda o país com uma turnê retrospectiva e coincide com o lançamento do livro escrito por Thiago, que propõe um mergulho na relação entre a vida e a obra do músico.

Intitulado 'Djavan, dizem que o amor atrai, a biografia reportagem', o livro toma como ponto de partida o álbum de estreia do cantor, lançado em 1976. O título resgata o verso final da canção Samurai. Na obra, Thiago intercala frases do próprio Djavan, recolhidas de jornais, podcasts e entrevistas ao longo de décadas, com uma narrativa biográfica que preenche as lacunas dessas falas, permitindo ao leitor duas formas possíveis de leitura.

Durante a conversa, Thiago destacou o alcance de Djavan entre gerações mais jovens, hoje um dos artistas mais ouvidos em plataformas como o Spotify. Segundo o pesquisador, esse fenômeno se intensificou quando o cantor lançou nas redes sociais a campanha do álbum Último Improviso, convidando fãs a compor junto a ele uma letra e uma melodia, o que resultou na música Um Brinde. A repercussão no TikTok também impulsionou o interesse por canções menos conhecidas do repertório, como Farinha, Obi, Sina e Tanta Saudade, parceria com Chico Buarque apresentada no filme Para Viver um Grande Amor.

Questionado sobre as letras de Djavan, Thiago definiu o compositor como antropofágico, capaz de se apropriar de elementos da música negra americana e recriá-los em sua obra. Para o autor, há uma ligação intrínseca entre as composições de Djavan e o modernismo brasileiro, especialmente com Manuel Bandeira, criador de neologismos como teodorar. Djavan seguiria caminho semelhante ao cunhar palavras como caetanear, termo que o próprio Caetano Veloso devolveu como javanear, e sevilhando, construção a partir do verbo sevilar.

A entrevista também abordou os atritos enfrentados por Djavan no início de carreira, quando produtores e arranjadores tinham dificuldade em compreender a complexidade harmônica de suas músicas. Segundo Thiago, o próprio cantor percebeu, com o tempo, a relação entre suas composições e a dança, a cultura e a arte africana, o que o levou a aceitar sua música com mais naturalidade. Ao longo do programa foram tocadas as canções Capim, Obi, Nereci e Fato Consumado.

Músicas e artistas citados
CapimObiNereciFato ConsumadoSamuraiUm BrindeFarinhaTanta SaudadeSinaSevilhando
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