
Leonardo Piana fala sobre clima e família no Encontro com o Autor
Escritor mineiro comenta o romance Tarde no Planeta, a presença da natureza e a crise climática em sua literatura no programa da TV Câmara.
O programa Encontro com o Autor, da TV Câmara, recebeu o escritor Leonardo Piana em uma edição gravada na Biblioteca da Câmara. A conversa foi conduzida por Maira Brito e contou com a participação de Cláudia Lemos, abordando a trajetória literária do autor e seu romance mais recente, Tarde no Planeta.
Nascido em Andradas, Minas Gerais, Piana estreou na literatura com o romance Cismógrafo, vencedor do Prêmio Cidade de Belo Horizonte e finalista de outros prêmios literários, livro que teve recentemente os direitos vendidos para o cinema. Seu livro de poesia Escalar Cança venceu o Prêmio Sesc de Literatura de 2025, e o segundo romance, Tarde no Planeta, também recebeu o Prêmio Cidade de Belo Horizonte.
Tarde no Planeta acompanha Carlos, um adolescente de quinze ou dezesseis anos que sente, sem contar a ninguém, que o mundo está perto do fim, percebendo sinais como aves migrando fora de época e peixes nadando contra a corrente. Em casa, convive com a mãe Diana, professora e poeta premiada, o pai Ernesto, contador, e Sérgio, amigo da família. Sentindo-se excluído do mundo dos adultos, Carlos inicia um namoro com Pedro, homem nove anos mais velho, enquanto segredos familiares vão se revelando ao longo de capítulos curtos.
Durante a entrevista, Piana explicou que a presença constante da natureza e das montanhas em seus livros, incluindo a escalada retratada em Tarde no Planeta e em Escalar Cança, nasce de sua infância em Andradas, cidade rodeada pela Serra da Mantiqueira, e de sua prática pessoal de escalada. O autor relacionou ainda a ansiedade climática do personagem Carlos a desastres ambientais que presenciou, como queimadas intensas, descrevendo a literatura como um espaço para elaborar essas obsessões.
O escritor também comentou a construção do livro em capítulos curtos que alternam pontos de vista entre os personagens, estratégia pensada para dar voz própria a cada integrante da família, diferente da narrativa em primeira pessoa de Cismógrafo. Sobre o tema da maternidade, presente nos dois romances, Piana revelou que a relação entre mães e filhos em sua obra é inspirada em questões pessoais com a própria mãe, que não lê literatura e nunca leu seus livros, mas ouviu alguns trechos lidos por ele.
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