
Esquina do Jazz revisita a força espiritual de Mahalia Jackson
Reprise do Esquina do Jazz destaca a trajetória e o repertório gospel de Mahalia Jackson, voz que marcou a luta por direitos civis nos EUA.
A Rádio Câmara Campinas reprisa nesta edição do Esquina do Jazz um episódio dedicado à cantora Mahalia Jackson, uma das maiores vozes do gospel norte-americano. Apresentado por Edson Júnior, o programa lembra que a música religiosa produzida pela população afro-americana é a origem de estilos como o blues, o jazz, o R&B e o soul, e que Mahalia dedicou praticamente toda a sua carreira a esse repertório sagrado.
Nascida em New Orleans, na Louisiana, em 1911, Mahalia Jackson cresceu em uma família pobre e sem a presença do pai, sendo criada pela tia enquanto a mãe trabalhava como faxineira. Ainda jovem, mudou se para Chicago nos anos 30 e passou a se destacar cantando em igrejas. Mesmo recebendo diversos convites para seguir carreira secular, ela nunca aceitou e preferiu ser reconhecida exclusivamente como cantora gospel, embora tenha feito parcerias com nomes como Louis Armstrong, Ella Fitzgerald e Aretha Franklin.
Nos anos 50, Mahalia se aproximou do reverendo Martin Luther King Jr. e se envolveu na luta pelos direitos civis e contra a segregação racial. Ela cantou para mais de 250 mil pessoas no comício em que King discursou o histórico 'I Have a Dream', esteve presente na posse do presidente John Kennedy em 1961 e também no funeral de Martin Luther King, em abril de 1968. A cantora morreu em 1971, aos 60 anos, e é lembrada até hoje nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia, especialmente no Japão, como uma das vozes mais marcantes da história da música.
O programa também comenta a evolução sonora de Mahalia Jackson, que no início de carreira mantinha um estilo gospel tradicional, apenas com piano e órgão, e depois dos anos 50, já sob contrato com a Columbia Records, passou a incorporar baixo, bateria e backing vocals às suas gravações. O episódio traz ainda a parceria da cantora com o maestro Duke Ellington em uma versão do Salmo 23, gravada sob a condição de que o resultado mantivesse o caráter gospel.
A edição do Esquina do Jazz tem trabalhos técnicos de Rafael Santos, coordenação de Cláudio Ferreira, direção de Geralda Verônica Lima, e pesquisa, texto, curadoria musical e apresentação de Edson Júnior.
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