
Esquina do Jazz reprisa episódio sobre as divas negras do jazz
Reprise do Esquina do Jazz relembra as trajetórias de Billie Holiday, Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan e seu legado musical.
A Rádio Câmara Campinas reprisa mais uma edição do programa Esquina do Jazz, apresentado por Edson Júnior, dedicada a três das maiores vozes da história do gênero: Billie Holiday, Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan. O episódio, intitulado 'Divas Negras do Jazz', percorre as trajetórias pessoais dessas artistas, marcadas por dificuldades, racismo e pobreza, mas também por um legado musical considerado inigualável.
A primeira homenageada é Billie Holiday, nascida Eleanora Fagan Gough, que teve a trajetória mais difícil entre as três. Abandonada pela mãe na adolescência, viveu em situação de rua dos 14 aos 18 anos e precisou se prostituir para sobreviver. Foi ao tentar ser dançarina em um clube noturno que acabou descoberta como cantora, gravando pela primeira vez nos anos 1930 com o quarteto de Benny Goodman. Mesmo com fama e dinheiro, enfrentou crises depressivas constantes e dependência química, morrendo aos 44 anos. No programa, sua voz é celebrada nas canções Violets for Your Furs, God Bless the Child, The End of a Love Affair e Speak Low.
Em seguida, o programa apresenta Ella Fitzgerald, abandonada pelo pai aos três anos e criada pela mãe, que se casou novamente com um homem radicado nos Estados Unidos e abusava dela e da meia-irmã. A morte da mãe, quando Ella tinha 15 anos, provocou uma crise depressiva que a levou a abandonar os estudos e viver nas ruas, chegando a trabalhar como vigia de cassino e a ser presa por cumplicidade em atividade ilegal. A virada veio após o reformatório, quando uma professora de piano lhe deu casa, comida e aulas, incentivando-a a participar de um concurso de canto no Teatro Apollo, no Harlem. Ella morreu em 1996, aos 79 anos, produtiva até os últimos dias. O bloco reúne as faixas Cheek to Cheek, Dream, Laura, Manhattan e Something's Gotta Give.
Por fim, o programa traz Sarah Vaughan, apontada como a que teve a vida menos conturbada entre as três, apesar da família pobre: o pai era carpinteiro e tocava piano e guitarra na igreja, e a mãe, lavadeira, cantava no coral. Vaughan enfrentou casamentos turbulentos, a maioria deles com os próprios empresários que também eram seus maridos, mas manteve a carreira sempre em evidência. Começou a estudar piano aos sete anos, gravou pela primeira vez no início dos anos 1940 e foi produtiva até morrer em 1990. Sua voz grave e estilizada, alvo de críticas negativas no início da carreira, tornou-se depois amplamente elogiada. O programa encerra com Misty, Close to You, Moonlight in Vermont e In a Sentimental Mood.
Ao reunir as histórias dessas três artistas, o Esquina do Jazz reforça como suas vozes atravessaram adversidades pessoais para deixar uma contribuição decisiva à música e à história do jazz.
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