Estúdio Câmara

Hiperconectividade em debate: especialistas alertam para os riscos da vida sempre online

Estúdio Câmara discute os efeitos da hiperconexão na saúde mental com uma neuropsicóloga e um neurocientista, entre eles atenção, ansiedade e equilíbrio digital.

Estúdio Câmara · 2026-09-30

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A edição desta quarta-feira do Estúdio Câmara, na TV Câmara Campinas, colocou em pauta um tema que atravessa o cotidiano de praticamente todos os telespectadores: a hiperconectividade e seus efeitos sobre o bem-estar emocional. O programa provocou uma reflexão sobre o hábito quase automático de checar o celular logo ao acordar e antes de dormir, questionando se seria possível, e desejável, viver por algum tempo em modo avião.

Para aprofundar a discussão, o programa recebeu no estúdio a neuropsicóloga Giovana Gil, que atua em desenvolvimento humano e saúde mental de adolescentes e adultos, e, por videoconferência, o neurocientista José Gonçalves Junior, pesquisador das relações entre comportamento humano, ambiente e tomada de decisão. Giovana explicou que a facilidade de acesso constante criou o que chamou de paradoxo da disponibilidade: hoje qualquer ausência de resposta é interpretada como desinteresse ou falta de importância, o que praticamente eliminou o direito à desconexão que antes era natural.

José Gonçalves Junior trouxe dados que reforçam a gravidade do problema sob a ótica da neurociência. Segundo ele, estudos de universidades como a da Califórnia e o MIT apontam que o cérebro humano recebe diariamente entre 1 e 2 terabytes de informação, quando sua capacidade real de processamento gira em torno de apenas 50 a 55 bytes por dia. Essa distância entre o volume de estímulos e a capacidade cerebral ajudaria a explicar dificuldades crescentes de atenção, memória e concentração, muitas vezes confundidas com transtornos, mas que na verdade refletem um ambiente de sobrecarga constante.

Os dois convidados também abordaram o impacto emocional da exposição contínua às redes sociais, marcada por uma falsa sensação de proximidade com influenciadores e conhecidos, que costuma gerar comparação e frustração quando confrontada com a rotina real de quem assiste. Ainda assim, ambos fizeram questão de não demonizar a tecnologia, destacando que ela também traz benefícios e faz parte da vida moderna.

A conclusão do debate caminhou para a busca de equilíbrio como saída mais realista, com sugestões como criar pausas deliberadas, desligar o celular por períodos determinados e reaprender a conviver com momentos sem estímulos digitais, um exercício apontado como essencial para preservar a saúde mental em meio a um mundo cada vez mais conectado.

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