Estúdio Câmara

Educação sexual deve começar na infância, dizem psicólogas

O programa Estúdio Câmara, exibido em 4 de novembro, discutiu como pais e cuidadores podem orientar crianças e adolescentes sobre puberdade e sexualidade. Especialistas defenderam que a educação sexual é gradual, começa desde o nascimento e funciona como fator de proteção contra abusos e violência.

Estúdio Câmara · 2026-11-04

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O programa Estúdio Câmara desta quarta-feira, dia 4 de novembro, tratou da educação sexual na infância e na adolescência, abordando como pais e cuidadores podem acompanhar as mudanças do corpo e as dúvidas que surgem em cada fase do desenvolvimento dos filhos. Participaram da conversa a psicóloga e psicanalista Vanessa Favinha, que atua clinicamente com adolescentes e adultos, e a psicóloga e educadora parental Abilene Basílio, que há mais de dez anos trabalha com orientação de famílias. As convidadas citaram que organizações como a Unesco e a Organização Mundial da Saúde apontam a educação sexual precoce e gradual como fator de proteção, por prevenir comportamentos de risco, fortalecer a autoestima, reduzir casos de violência sexual e melhorar o vínculo entre pais e filhos.

Vanessa Favinha explicou que, sob a ótica da psicanálise, a sexualidade começa muito antes da puberdade, já na infância, passando por fases como a oral, a anal e a fálica, nas quais a criança vai se descobrindo. Segundo ela, mesmo antes da entrada na puberdade, os pais já orientam os filhos sobre regras do próprio corpo, o que ajuda a prevenir abusos. Abilene Basílio reforçou essa ideia ao afirmar que nunca é cedo demais para iniciar a educação sexual, já que, desde o nascimento, a forma como os pais cuidam do corpo da criança, como ao trocar fraldas ou dar banho, já ensina sobre respeito e limites. Para ela, essa educação é progressiva, e cada idade exige uma linguagem apropriada.

As especialistas destacaram que a chegada da puberdade traz mudanças físicas e emocionais que nem sempre encontram os adolescentes, e também os pais, preparados. Vanessa descreveu esse momento como um processo de luto, em que o adolescente é convocado a deixar a infância, lidando com transformações como a menstruação e o desenvolvimento dos seios, enquanto os pais precisam aceitar que o filho cresceu. Ela alertou que, muitas vezes, os pais impõem respostas prontas, como entregar um absorvente sem explicar o que está acontecendo, em vez de dialogar e escutar. A psicanalista também observou que o histórico pessoal dos pais, incluindo episódios de violência ou abuso vividos na própria adolescência, pode dificultar essa conversa com os filhos, tornando necessário compreender o contexto familiar como um todo.

Abilene Basílio lembrou que a maioria dos pais também não foi educada sobre o tema, aprendendo a usar apelidos em vez dos nomes corretos das partes do corpo, em um ambiente marcado por tabus e mitos. Por isso, segundo ela, as famílias de hoje aprendem junto com os filhos, buscando informação para romper esse ciclo. Sobre como diferenciar curiosidade natural de situações que exigem atenção, Vanessa Favinha indicou o uso de recursos lúdicos, como bonecas, para falar sobre o corpo com crianças pequenas, e observou que a reação de nojo infantil diante de cenas de afeto entre adultos tende a se transformar, na puberdade, em interesse e curiosidade, mudança que, segundo ela, também se reflete nas perguntas que os próprios adolescentes passam a fazer.

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