MÃOS SOLIDÁRIAS

Casa David Rowe acolhe famílias de crianças com câncer em Campinas

Associação nascida do sonho de um menino de 11 anos oferece hospedagem gratuita a famílias de crianças transplantadas de medula óssea ligadas ao Boldrini.

MÃOS SOLIDÁRIAS · 2026-10-19

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Mais uma edição do programa Mãos Solidárias apresentou a história da Associação Evangélica Beneficente Casa David Rowe, uma casa de apoio criada especificamente para atender pacientes transplantados de medula óssea, antes e depois do procedimento. A entrevista foi concedida pela diretora Silvia Rindish, que contou como a entidade nasceu de um gesto de um garoto de apenas 11 anos.

David Steven Rowe foi diagnosticado com leucemia aos 9 anos e passou dois anos em tratamento no Hospital Boldrini, em Campinas. Nessa época, ele observou que crianças vindas de outras cidades ficavam sem lugar para ficar entre as sessões de quimioterapia, esperando pelas ambulâncias que as levavam de volta para suas cidades apenas ao fim do dia, muitas vezes na calçada e sem assistência, o que colocava em risco o tratamento diante da imunidade baixa. Quando precisou de um transplante de medula, a família encontrou um doador compatível nos Estados Unidos e se mudou para lá. Hospedados numa casa de apoio semelhante, mas paga, os pais perceberam a importância desse suporte, e foi então que David sugeriu criar algo parecido em Campinas para ajudar outras crianças em tratamento no Boldrini. Segundo relato da diretora, o menino chegou a dizer que, se morresse, iria para o céu, mas que se aquele trabalho levasse alguém a se entregar a Cristo, toda a luta teria valido a pena. David não sobreviveu e foi enterrado nos Estados Unidos.

De volta ao Brasil, os pais, Steve e Déborra, decidiram concretizar o sonho do filho. Sem recursos no início, montaram uma primeira casa de apoio com o suporte da igreja que frequentavam, na Avenida II, próxima à Unicamp, justamente pela necessidade de proximidade com o Boldrini em casos de intercorrência, como febre pós transplante. Enquanto seguiam realizando campanhas e promoções para levantar fundos, o grupo conseguiu construir uma sede própria em 2010, inaugurada em 2011, que é a que funciona até hoje.

Silvia Rindish conheceu a família numa reunião de igreja e se apaixonou pelo trabalho, tornando-se voluntária de transporte, atividade que consiste em levar pacientes da casa ao hospital e buscá-los em aeroportos ou rodoviárias. A casa existe há 25 anos, e ela já soma 23 anos de atuação, tendo sido convidada em 2013 por Steve e Déborra para integrar a diretoria. A proximidade com a família se estreitou ainda mais quando o filho de Silvia se casou com Crista, irmã de David. Com o retorno definitivo dos pais aos Estados Unidos após a aposentadoria, Silvia diz sentir a responsabilidade de dar continuidade ao sonho do menino. A diretora também compartilhou sua própria trajetória: em 2009 enfrentou câncer no intestino, com metástase no fígado, e foi desenganada pelos médicos, que não viam mais possibilidade de tratamento. Sobrevivente há 16 anos, ela afirma que a experiência se tornou uma escola para compreender melhor as famílias atendidas, inclusive a angústia dos pais quando as crianças perdem o apetite após a quimioterapia.

Sobre a rotina da casa, Silvia explicou que os pacientes não chegam por acaso, mas são indicados pelas assistentes sociais dos hospitais, principalmente do Boldrini para casos de transplante, mas também da Unicamp, da Sobrapar e do IU, no caso de implante coclear. Ao chegar, cada família recebe um kit com lençol, colcha e cobertor, assina um termo de autorização de uso de imagem e ganha a própria chave da casa, com liberdade para ir e vir. A entidade mantém ambientes comuns, como cozinha e sala de televisão, para estimular a interação entre os pacientes e oferecer um clima familiar que ajude a suavizar a rotina árdua do tratamento hospitalar.

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