
Palmada na educação: psicopedagoga explica limite entre disciplinar e agredir
Episódio do Ponto de Vista discute por que a palmada ainda é vista como forma de educar e como o diálogo pode substituir a punição física.
A edição desta semana do Ponto de Vista recebeu a psicopedagoga Clarice Sescido para debater um tema delicado e presente em muitas casas: por que a palmada ainda é aceita como forma de educar os filhos. Segundo a especialista, o hábito costuma ser transmitido entre gerações, já que pais e avós foram criados assim em uma época com menos conhecimento sobre educação infantil. Para ela, porém, o mundo mudou e hoje existem recursos, como o diálogo, que se mostram mais eficazes do que a agressão física.
Clarice Sescido destacou que a palmada pode até interromper uma birra no momento em que acontece, mas não ensina a criança a entender o próprio comportamento. Segundo ela, a criança para de chorar pelo medo da dor, sem ter tempo de refletir sobre o que fez de errado, o que cria uma obediência baseada no medo, e não no respeito construído pelo diálogo. A psicopedagoga também reforçou que tapas, beliscões e chineladas são formas de violência, mesmo quando pais e responsáveis as consideram apenas uma forma de impor limites.
Durante a entrevista, a especialista explicou que o gatilho da raiva nos adultos costuma surgir após rotinas exaustivas de trabalho e tarefas domésticas, o que reduz a paciência diante de birras infantis. A orientação dada aos pais é identificar esse momento de esgotamento e se afastar da criança por alguns minutos, deixando-a em local seguro com outro adulto, até conseguir se calmar para então retomar a conversa.
Segundo Clarice Sescido, os efeitos da palmada podem acompanhar a criança até a vida adulta, gerando medo de errar, insegurança e dificuldade de se expor em público, além de interferir na autoestima. A psicopedagoga alertou ainda que agressões verbais, como xingamentos e comentários ofensivos, podem ser até mais prejudiciais do que a dor física, por ficarem marcadas no subconsciente da criança por mais tempo.
Como alternativa à punição física, a especialista defende o uso de consequências combinadas com a criança, como a retirada do celular ou o impedimento de participar de um passeio, sempre acompanhadas de uma conversa que explique o motivo da atitude tomada. Para Clarice Sescido, educar não significa ser permissivo, mas impor limites com firmeza na voz e escuta ativa, respeitando a fase de desenvolvimento de cada criança.
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