
Família e escola não são rivais na educação, diz psicopedagogo
Anderson Coresma explica no Ponto de Vista por que pais e escola devem agir como parceiros, não como campos opostos, na formação de crianças.
O papel da família e da escola na formação de crianças e adolescentes foi o tema do episódio do Ponto de Vista que recebeu o educador e psicopedagogo Anderson Coresma. Segundo ele, escola e família não devem ser vistas como campos opostos, já que ambas trabalham para a formação integral da criança. Para Coresma, é fundamental existir uma ponte de diálogo próxima entre os dois lados, já que, quando a escola faz um apontamento sobre o comportamento de um aluno, na verdade está pedindo apoio da família, e não fazendo uma acusação.
O psicopedagogo descreveu uma reação comum dos pais ao receberem um comunicado de advertência do professor: uma postura reativa, motivada muitas vezes por uma rotina de trabalho pesada e estressante. Segundo ele, o primeiro passo deveria ser o contrário: respirar, acolher a si mesmo como pai ou mãe, ler o comunicado com calma e só depois conversar com a criança, buscando entender o que de fato aconteceu. Coresma destacou o papel do orientador educacional nesse processo, descrito como uma figura importante de mediação de conflitos e de apoio às famílias dentro da estrutura das escolas.
O convidado também abordou o que a criança aprende antes mesmo de ingressar na escola. Segundo ele, cada família tem valores e crenças implícitos, e a escola é a primeira grande comunidade em que a criança passa a conviver em grupo, com regras diferentes das de casa. Por isso, Coresma recomenda que as famílias conheçam a cultura da escola, o projeto político pedagógico e as regras do dia a dia, para reforçar essa mesma lógica em casa. Ele ressaltou ainda que o exemplo dado pelos adultos tem peso maior do que a regra verbalizada e que desautorizar professores ou diretores na frente da criança retira a autoridade dessas figuras.
Outro ponto levantado foi o desafio das famílias sobrecarregadas, que passam menos tempo com os filhos e, por isso, tendem a flexibilizar regras para compensar a ausência. Para o psicopedagogo, essa postura cria crianças menos tolerantes à frustração. Ele citou o hábito de entregar o celular para calar o choro de uma criança como exemplo de solução imediata que gera consequências a longo prazo. Coresma observou que a indisciplina na escola, apontada por educadores como a principal queixa do dia a dia escolar, hoje à frente até da questão salarial, pode ser um recado de que a criança está sofrendo ou buscando atenção da família.
Encerrando a entrevista, Anderson Coresma reforçou que família e escola têm funções diferentes, porém complementares. Mesmo uma escola de educação integral, com bom currículo e investimento em áreas como música e arte, não substitui o afeto e o exemplo dados em casa. Ele recomendou pequenos ajustes na rotina, como buscar a criança um pouco mais cedo uma vez por semana, para fortalecer o vínculo familiar e, consequentemente, melhorar o comportamento e o aprendizado na escola.
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