QUESTÃO DE ORDEM

El Niño: Defesa Civil de Campinas alerta sobre riscos

Vereador Luiz Yabico e o diretor Sidney Furtado debatem no Questão de Ordem os efeitos do El Niño e a prevenção em Campinas.

QUESTÃO DE ORDEM · 2026-10-17

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O programa Questão de Ordem desta edição discutiu as medidas de contingência relacionadas ao El Niño, fenômeno natural que aquece de forma anormal as águas do Oceano Pacífico e altera a distribuição de umidade e temperatura em várias regiões do planeta. No Brasil, o fenômeno provoca chuvas intensas e volumosas no Sul e também no Sudeste, além de secas prolongadas no Norte e no Nordeste. Para debater o tema e seus impactos em Campinas, o apresentador Gabriel recebeu no estúdio o vereador Luiz Yabico, presidente da Comissão Permanente de Meio Ambiente, e Sidney Furtado, coordenador regional e diretor da Defesa Civil de Campinas.

Sidney Furtado relembrou o histórico de eventos extremos na cidade. Em 1990, a chamada chuva do século afetou mais de 2 mil pessoas, em um momento em que ainda não existia estrutura de Defesa Civil no município, marco que deu início à atividade do órgão. Em 17 de fevereiro de 2003, outro grande evento resultou na morte de seis pessoas, incluindo um bombeiro. Já em 2016, a microexplosão causou um raio de destruição de 48 quilômetros, episódio que, segundo Furtado, comprovou de forma definitiva que os eventos extremos já fazem parte da rotina da cidade.

Luiz Yabico explicou que o aquecimento global, fato cientificamente comprovado há dois séculos, ocorre pelo acúmulo de gases de efeito estufa, como CO2 e metano, que deixam a camada que cobre o planeta mais espessa e retêm mais calor. Esse processo aquece as águas dos oceanos, derrete gelo e, somado às queimadas, intensifica o efeito do El Niño. O resultado prático, segundo o vereador, já é visível entre novembro e dezembro, com secas acentuadas no Norte e Nordeste e chuvas mais fortes no Sul do país, refletindo também em Campinas.

Furtado detalhou o sistema de monitoramento que envolve o Cemaden, em São José dos Campos, além de redes em Brasília e São Paulo, e uma equipe de 24 servidores que se revezam 24 horas em Campinas. Quando um sistema de chuva forte se desloca para uma região, é fechado um polígono para disparar o alerta via Cell Broadcast nas torres de telefonia daquela área, podendo atingir também municípios vizinhos. Ele destacou que, em 2016, o alerta daquele evento chegou 50 minutos após o ocorrido, enquanto hoje, com radar instalado na Unicamp e investimento em estações meteorológicas, a resposta é muito mais rápida, e a Defesa Civil também tem treinado voluntários da área civil para atuar junto ao órgão.

Mesmo com três radares em operação, Furtado citou um episódio recente em que uma nuvem se formou de forma estacionária sobre Campinas em uma sexta-feira, gerando muitas ocorrências e mostrando que, por mais tecnologia envolvida, a natureza sempre pode surpreender. Por isso, a orientação à população é permanecer em local seguro quando o alerta tocar, evitar ruas com histórico de alagamento, manter distância de árvores, consideradas hoje o maior risco, e buscar abrigo em caso de raios, seguindo sempre as orientações divulgadas pelos canais oficiais.

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