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Aplauso reprisa entrevista sobre cordel e xilogravura com Bráulio Tavares

Reprise do Aplauso traz o escritor Bráulio Tavares explicando a origem do cordel, a xilogravura e a cantoria de viola no Nordeste.

Aplauso · 2026-07-09

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O programa Aplauso, da Rádio Câmara Campinas, reprisa a edição dedicada à literatura de cordel e à xilogravura que teve como convidado o escritor, compositor, tradutor e pesquisador paraibano Bráulio Tavares. A conversa, conduzida por Carmen Del Pino, percorre a história dos folhetos populares nordestinos, das cantorias de viola e das ilustrações em xilogravura que estampavam as capas desses livretos vendidos em feiras.

Segundo Tavares, impressos semelhantes aos folhetos de cordel já circulavam na Europa desde os séculos 18 e 19, em países como Inglaterra, França, Portugal e Espanha. No Brasil, a atividade gráfica foi reprimida durante a Colônia e o Império, e só se expandiu após a chegada de Dom João VI, no início dos anos 1800. Foi na década de 1890 que Leandro Gomes de Barros passou a imprimir folhetos em versos nas gráficas de Recife. Tavares destaca que o cordel funcionou como uma espécie de imprensa alternativa para a população do sertão, que muitas vezes não tinha acesso aos jornais das capitais, e o descreve como o cinema do sertão, por reunir informação, lenda, fantasia e entretenimento.

O pesquisador também comenta que o termo mais usado tradicionalmente pelo povo era folheto de feira, e não literatura de cordel, expressão que teria se popularizado a partir das décadas de 1950 e 1960. A origem do nome cordel estaria ligada ao costume de pendurar os folhetos em barbantes esticados nas bancas, embora muitos folheteiros também os exibissem estendidos sobre lonas ou plásticos no chão. Tavares explica ainda que não há limite temático fixo nos folhetos, e cita a classificação em ciclos proposta por Ariano Suassuna, além de reforçar a diferença entre o cordel como formato gráfico e o romanceiro popular nordestino, conjunto de poemas ligados à vida e à cultura do sertanejo. A vida de Lampião aparece como um dos temas mais recorrentes dessa literatura.

Outro ponto da entrevista é a relação entre o cordel e a cantoria de viola. Tavares relata que, entre 1850 e 1880, uma geração de poetas e cantadores da região dos Cariris, entre Paraíba e Pernambuco, criou as bases dessa tradição, compondo versos que eram decorados e copiados à mão antes mesmo de existirem as impressões de Leandro Gomes de Barros. Esses cantadores se apresentavam em fazendas e cidades pequenas, tornando-se figuras conhecidas localmente, e os desafios entre cantadores de diferentes cidades ajudaram a consolidar essa tradição, que segue viva hoje entre profissionais que mantêm o espírito de disputa e improviso descrito por Tavares.

Músicas e artistas citados
Pavão Misterioso - Ney Matogrosso (composição de Ednardo)Cordel Virtual - Seu ValençaMulher Rendeira (domínio público)
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