
Rodrigo Lessa e Edu Neves apresentam o álbum Tempo de Samba no Aplauso
Bandolinista Rodrigo Lessa fala sobre o disco Tempo de Samba, parceria de décadas com o saxofonista Edu Neves, no programa Aplauso.
O programa Aplauso recebeu o bandolinista Rodrigo Lessa para falar sobre o álbum Tempo de Samba, lançado em parceria com o saxofonista Edu Neves. O repertório é autoral e quase inteiramente inédito, reunindo composições dos dois artistas em faixas que misturam choro, samba, jazz, música latina, africana e até elementos pop.
Rodrigo contou que a parceria musical com Edu Neves começou em 1983. Em 1993 os dois criaram o grupo Pagode Jazz Sardinhas Clube, que chegou a gravar três discos, ganhar prêmio, viajar para a Europa e tocar por dois anos seguidos na Lapa, no Rio de Janeiro, num formato de show-baile inspirado no trabalho de Paulo Moura. O grupo se desfez após a morte do trombonista da banda, e só agora os dois voltaram a gravar juntos, desta vez em dupla.
A formação instrumental do novo disco chamou atenção do próprio Rodrigo. Sem baixo, Tempo de Samba conta com dois violões, tocados por Carlinhos Sete Cordas e por Luís Luixá, que mistura o violão carioca com a sonoridade do violão do Recôncavo, além de dois percussionistas, Bruno Barreto e Lucas Videla, e Marco Estadeu na bateria. Segundo Rodrigo, a ideia de dispensar o baixo remete a uma história contada sobre Paulo Moura, que certa vez tocou sem baixista no Rio Cenário e decidiu manter o formato.
Entre as faixas apresentadas no programa estão Manual Prático para uma Boa Vadiagem, um chorinho que Rodrigo descreveu como uma brincadeira sobre a vadiagem musical entendida como forma de elevação espiritual, e Tocãozinho, cujo título vem de uma expressão carinhosa usada por Edu Neves. Também foi tocada Noturno Fim do Tio Sam, composição que originalmente ganhou letra de Mauro Aguiar sobre a morte do Tio Sam e que agora aparece em versão instrumental no álbum.
Na conversa, Rodrigo Lessa refletiu ainda sobre a força da música instrumental carioca, descrevendo o Rio de Janeiro como a panela da música brasileira. Ele citou Ernesto Nazaré como o compositor que uniu música erudita e popular na formação da identidade musical do país, abrindo caminho para nomes como Villa-Lobos, Egberto Gismonti, Moacir Santos, Noel Rosa e Jacó do Bandolim.
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