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Álbum Afro Sambas 60 Anos revive parceria de Baden Powell e Vinícius

Marco Sacramento e Zé Paulo Becker lançam releitura dos Afro Sambas, com Roberta Sá e outros convidados, celebrando os 60 anos do disco original.

Aplauso · 2026-07-27

Afro SambasBaden PowellVinícius de MoraesMarco SacramentoZé Paulo BeckerMPB
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O programa Aplauso desta semana recebeu o cantor Marco Sacramento para falar sobre o álbum Afro Sambas 60 Anos, projeto que ele divide com o violonista Zé Paulo Becker em homenagem à obra que Baden Powell e Vinícius de Moraes lançaram em 1966. Na conversa com a apresentadora Carmen Del Pino, Sacramento explicou como a dupla se debruçou sobre um repertório considerado antológico da música popular brasileira sem abrir mão de imprimir identidade própria às releituras.

O projeto nasceu mais de dez anos atrás, quando Sacramento e Becker foram convidados pelo Centro Cultural Banco do Brasil para um show em homenagem ao centenário de nascimento de Vinícius de Moraes. O repertório daquela apresentação, baseado nas parcerias do poeta, incluía as canções feitas com Baden Powell, e acabou se transformando em um espetáculo dedicado inteiramente aos Afro Sambas, apresentado em diversas regiões do Brasil e também no exterior. Segundo Sacramento, o desejo de gravar esse material em disco existia desde o início, e a efeméride dos 60 anos foi a ocasião escolhida para concretizar o projeto, com apoio da gravadora Biscoito Fino. O álbum reúne todas as faixas do disco original de 1966, além de outros Afro Sambas que não constavam ali, como Berimbau, e outras parcerias de Baden e Vinícius que não se encaixam exatamente na categoria.

Durante a entrevista, Sacramento contextualizou a importância histórica do disco original. Ele lembrou que o Brasil vivia a efervescência da Bossa Nova, iniciada no fim dos anos 1950 com Chega de Saudade, e depois a era dos festivais, que começou em 1965 na TV Record. Os Afro Sambas surgiram nesse cenário como um encontro entre Baden, criado em ambiente de subúrbio carioca ouvindo choro, samba e macumba, que depois foi a Salvador estudar o berimbau e frequentar rodas de capoeira, e Vinícius, que na época se dedicava à leitura sobre religiões de matriz africana, atabaques e orixás. As composições começaram ainda em 1962, antes do lançamento do disco, e trouxeram para o centro da música popular sofisticada um universo até então restrito aos morros e periferias, aproximando o samba da raiz afro-religiosa que já o atravessava desde as casas das tias baianas na Praça Onze, no Rio de Janeiro.

Sobre a construção do novo álbum, Sacramento destacou que a essência de duo, voz e violão, foi mantida como espinha dorsal de todas as faixas, mas o empresário Fio Battisti sugeriu a participação de convidados para dar um caráter de celebração ao projeto. Assim, Ney gravou Canto de Ossanha, Roberta Sá participou de Canto de Iemanjá, e cantoras da nova geração como Eleci e Juliane Gamboa, esta última em Bocochê, trouxeram outra camada às regravações. O músico Silvério Pontes, parceiro de Sacramento no Samba do Sacramento, aparece na faixa Labareda, enquanto Mandu Costa, parceiro de longa data de Zé Paulo Becker, participa da canção Tempo de Amor.

Ao longo da conversa, Sacramento reforçou que o objetivo do trabalho é evitar que os Afro Sambas caiam no esquecimento, especialmente entre as novas gerações, e destacou que o álbum Afro Sambas 60 Anos já está disponível em todas as plataformas digitais de streaming.

Músicas e artistas citados
Canto de OssanhaCanto de IemanjáBerimbauBocochêLabaredaTempo de Amor
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