
Centro de Convivência Carlos Gomes: décadas de cultura no Cambuí
Reaberto em 2025 após 14 anos fechado, o Centro de Convivência Cultural Carlos Gomes, no Cambuí, celebra décadas de história cultural em Campinas.
Na Praça Imprensa Fluminense, no bairro do Cambuí, está um dos espaços culturais mais conhecidos de Campinas, o Centro de Convivência Cultural Carlos Gomes. Inaugurado em 1976, o complexo foi projetado para ir além de um teatro, com um projeto premiado do arquiteto Fábio Penteado. A obra, toda em concreto, reúne um teatro de arena construído sobre o teatro interno e as galerias, concebido para que a praça e os equipamentos culturais se misturassem com total permeabilidade. Na época, sua chegada representou uma grande mudança para o Cambuí, ajudando a transformar a região em um bairro de referência na cidade.
Por mais de 30 anos, o espaço teve papel central na cena cultural de Campinas. Temporadas de grandes companhias de teatro passavam pela cidade, e muitas vezes tinham ali seu início. A dança também ocupou lugar de destaque, com academias levando alunos para se apresentar no palco que, para muitos moradores da região, se tornou sinônimo de memória afetiva.
A trajetória do Centro de Convivência, porém, também foi marcada por um longo período de interrupção. Desde a concepção do espaço já existiam problemas estruturais, como infiltrações constantes em um teatro aberto que, segundo relatos, sempre teve dificuldades de manutenção. O fosso destinado a óperas e orquestra chegou a manter um espelho d'água permanente, e o lustre do teatro foi comprometido pela água que escorria sobre ele com frequência. O desgaste acumulado ao longo dos anos levou à interdição do espaço pela Defesa Civil durante uma temporada de balé, episódio lembrado como um dos mais tristes da história do local. O Centro de Convivência permaneceu fechado por cerca de 14 anos.
Em 2025, depois da obra de restauração e da retirada do tapume que isolava a praça, o espaço foi reaberto e devolvido à cidade. Hoje, teatro, música, dança, exposições e ensaios fazem parte da programação, de terça a domingo, com as segundas-feiras reservadas à manutenção do lugar. Em um recorte de um ano, de julho a julho, o Centro de Convivência recebeu mais de 100 atividades culturais e mais de 100 mil pessoas circulando entre exposições, concertos e apresentações a céu aberto. Entre as próximas novidades estão o retorno do lustre original, com apoio de patrocinadores, e a reabertura do espaço conhecido como Recoleta.
Um dos momentos recentes mais marcantes envolveu o grupo Primavera, que levou cerca de 162 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, do bairro São Marcos, para se apresentarem no espetáculo 45 Primaveras, Flores onde estiver, em celebração aos 45 anos da instituição. Para eles, subir ao palco de um teatro histórico e recém-restaurado em uma região nobre da cidade foi descrito como um momento de protagonismo e empoderamento. Cinco décadas depois de sua inauguração, o Centro de Convivência Cultural de Campinas Carlos Gomes, o CCC, continua sendo um ponto de encontro da cidade e é, para quem conhece sua história, Campinas que deu certo.
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