
Estudante da Unicamp vence prêmio de melhor pôster em evento de física quântica
Camila Fernandes, da Unicamp, venceu a categoria de melhor pôster no SheQ, encontro de mulheres na física quântica promovido pelo IFUSP.
O quadro De Olho na Educação desta semana recebeu Camila Desiderio Fernandes, estudante de licenciatura da Unicamp, vencedora da categoria de melhor pôster no SheQ, encontro Mulheres na Física Quântica promovido pelo Instituto de Física da USP (IFUSP). O evento reúne anualmente pesquisadoras e professoras do estado de São Paulo dedicadas à área da quântica, e Camila concorreu com um trabalho desenvolvido ao longo de três anos de iniciação científica.
O pôster premiado apresenta um STM, microscópio de tunelamento quântico, voltado ao ensino. Diferente dos equipamentos usados em pesquisa, que operam em ultra-alto vácuo e temperaturas de milikelvin, a versão de Camila funciona em temperatura ambiente e pressão normal, permitindo analisar amostras que não degradam em contato com oxigênio. As imagens do pôster combinam topografia e densidade de estados dos átomos, obtidas a partir de uma sonda feita de uma liga de 90% platina e 10% irídio, cortada manualmente com alicate e revestida com o polímero polipirrol.
Segundo a estudante, o maior desafio do projeto foi justamente a funcionalização dessa sonda, que precisa ficar extremamente fina e não pode ser tocada após o corte, sob risco de perda. Para preservá-la, foi preciso desenvolver um porta-amostra artesanal, comparado por Camila a uma peça de Lego gigante, que mantém as pontas das sondas voltadas para cima. Os resultados mostraram que as amostras revestidas com polipirrol apresentaram estreitamento na distribuição da corrente de tunelamento, indicando medições mais certeiras, com menos distorção e ruído.
O trabalho é orientado pelo professor Leandro, da Unicamp, e contou com o apoio do técnico de laboratório Alessandro. Camila destacou que o evento no IFUSP reuniu nomes de peso da física quântica, entre eles Paula Homem, reitora da UFABC, a professora Crissa, da USP de São Carlos, a professora Vivian, da Unesp, e Ingrid, do CNPEM, e que dividir espaço com essas pesquisadoras foi uma honra.
Para a estudante, que estuda cerca de seis horas por dia entre aulas e pesquisa, a área ainda carece de mais divulgação e oportunidades para atrair mulheres, especialmente vindas das humanidades para as exatas. Seu próximo passo é buscar outros congressos neste semestre e se preparar para ingressar no doutorado, seguindo na área de materiais.
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