DE OLHO NA EDUCAÇÃO

Bullying na escola: orientadora explica como identificar e agir a tempo

Orientadora pedagógica Luciana explica no De Olho na Educação os três sinais que diferenciam bullying de conflito escolar comum.

DE OLHO NA EDUCAÇÃO · 2026-10-15

bullyingeducaçãocyberbullyingsaúde emocional infantilfamília e escolaDe Olho na Educação
Esta edição já saiu do ar. A rádio mantém no ar sempre a edição mais recente do programa.Ouvir a edição atual

O quadro De Olho na Educação desta semana recebeu a orientadora pedagógica Luciana para falar sobre um dos assuntos que mais preocupa famílias com filhos em idade escolar: o bullying. Segundo ela, o ambiente escolar reúne crianças de famílias diferentes convivendo juntas, o que naturalmente gera conflitos. O ponto central da entrevista foi justamente ensinar a diferenciar um conflito comum do bullying propriamente dito.

Luciana explicou que o bullying se caracteriza por três elementos. O primeiro é a repetição, ou seja, a agressão acontece de forma insistente contra a mesma criança. O segundo é a ausência de motivo aparente, muitas vezes relacionado a um apelido ou a uma característica física, como o uso de óculos, que se transforma no ponto fraco explorado pelo agressor. O terceiro elemento é a presença de uma plateia, formada por colegas que assistem à agressão sem interferir. Para ela, uma frase resume bem o limite entre brincadeira e perseguição: a brincadeira deixa de ser brincadeira quando as duas partes não estão se divertindo.

A orientadora também alertou para os sinais de que uma criança pode estar sofrendo bullying, como mudança de comportamento, irritabilidade, perda de apetite, isolamento no quarto, recusa em ir à escola e o hábito de usar capuz na cabeça o tempo todo. Segundo ela, o colégio mantém um projeto socioemocional que entra em sala de aula desde a educação infantil, trabalhando identificação de sentimentos e empatia, para que o ambiente seja acolhedor e a criança se sinta segura para buscar ajuda quando algo está errado, mesmo quando o problema não é diretamente com ela.

Outro ponto destacado foi o cyberbullying, que segundo Luciana é ainda mais grave porque o agressor não vê a reação do outro e o conteúdo publicado nas redes sociais é muito difícil de controlar depois de divulgado. Ela reforçou que existe legislação de proteção digital para crianças e adolescentes e que os pais podem ser responsabilizados nesses casos. Por isso, o acompanhamento das redes sociais e do tempo de tela dos filhos foi apontado como medida preventiva importante, assim como assistir conteúdos junto com a criança em vez de deixá-la sozinha com o celular ou o tablet.

Por fim, a orientadora lembrou que quem pratica bullying também precisa de acolhimento, já que muitas vezes usa a agressão como forma de se sentir fortalecido ou de se proteger de uma insegurança própria. Para Luciana, o trabalho precisa ser feito em conjunto entre escola e família, envolvendo quem agride, quem sofre e também a plateia que assiste e se cala, com diálogo constante e sem que a criança perca a confiança de contar o que está acontecendo.

Outras edições de DE OLHO NA EDUCAÇÃO