Estúdio Câmara

Psicóloga e pedagoga discutem autonomia infantil no Estúdio Câmara

Especialistas debatem no Estúdio Câmara como pequenas escolhas das crianças ajudam a construir identidade, autoestima e autonomia.

Estúdio Câmara · 2026-10-01

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O Estúdio Câmara desta quinta-feira recebeu duas especialistas para debater um tema delicado da rotina familiar: até que ponto orientar uma criança pode se transformar em controle excessivo sobre suas escolhas. A apresentadora Rúbia conduziu a conversa com a psicóloga Jaqueline Sairaiva, especialista em terapia cognitivo comportamental e análise do comportamento aplicada, e com a pedagoga Hilary Navarro, formada pela Unicamp e pós-graduada em neuropsicopedagogia e em desenvolvimento infantil.

A discussão partiu de uma meta-análise publicada em 2025 em uma revista americana de psicologia, que relacionou o apoio à autonomia por parte dos pais a melhores indicadores de bem-estar infantil, enquanto estratégias de controle psicológico apareceram associadas a mais sinais de sofrimento emocional nas crianças. O dado serviu de mote para as convidadas explicarem como gestos do dia a dia, como a escolha de uma roupa, de uma brincadeira ou até um simples não da criança, participam diretamente da formação da identidade.

Para Jaqueline Sairaiva, essas pequenas decisões cotidianas ajudam a criança a descobrir o que gosta e o que não gosta desde muito cedo, processo que caminha junto com o desenvolvimento da autoestima. Segundo a psicóloga, quando a criança percebe que pode escolher dentro de um ambiente seguro, ela constrói confiança em si mesma, e esse ambiente de segurança é o que sustenta toda a formação da personalidade ao longo da infância.

Já a pedagoga Hilary Navarro chamou atenção para a linha tênue entre orientar e controlar, algo que muitos adultos fazem sem perceber. Ela propôs uma reflexão simples para os pais e responsáveis antes de intervir em uma escolha infantil: é preciso avaliar se a decisão representa de fato um risco à integridade da criança ou se apenas contraria a expectativa do adulto. Hilary reforçou ainda que existem decisões que cabem exclusivamente aos adultos, mas também espaços em que a criança pode e deve participar da escolha.

As convidadas também alertaram para os efeitos da superproteção a longo prazo. Ao decidir tudo pela criança para evitar frustrações, o adulto pode tirar dela oportunidades de desenvolver autonomia e autoconfiança, o que tende a refletir na vida adulta na forma de insegurança, dependência da aprovação alheia e dificuldade para tomar decisões. A frustração, lembraram as especialistas, faz parte da vida e também precisa ser aprendida desde a infância.

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