
Histórias de Vida: morador de Campinas relata 14 anos com hepatite até transplante de fígado
Aparecido Maciel Góes conta como a hepatite evoluiu para cirrose e como o índice Meld definiu a urgência do transplante feito na Unicamp.
O episódio desta semana do programa Histórias de Vida, da Rádio Câmara Campinas, recebe Aparecido Maciel Góes, conhecido como Maciel, de 60 anos. Natural de Londrina, no Paraná, ele veio para Campinas aos 9 anos, na época de uma geada que atingiu o estado. Trabalhou desde os 14 anos, atuou por 45 anos na área de comércio e hoje é casado há 33 anos, pai de uma filha e um filho.
Maciel recebeu o diagnóstico de hepatite após um cardiologista identificar alterações nos exames TGO e TGP, encaminhando-o a um infectologista. Ele conviveu com a doença por 14 anos, até que o acompanhamento passasse a ser feito pelo índice Meld, medida que indica a gravidade da doença hepática. O índice, que estava em torno de 13, subiu para 17 e 18 em 2021, quando ele já estava afastado do trabalho por conta da pandemia. A partir de 17, o paciente entra na fila do transplante, e o Meld de Maciel continuou subindo até chegar a 23, 25 e 27, próximo do valor máximo de 29, o que acelerou sua posição na fila.
Nesse período, ele enfrentou quadros de encefalopatia, com perda de memória e episódios de agressividade dos quais não guarda lembrança, chegando a não reconhecer a esposa e os filhos por até dois dias após as crises. Também passou por ascite, com acúmulo de até 10 litros de água na barriga, retirada por paracenteses que resultavam em infecções e novas internações. Ao todo, ficou internado por cerca de 100 dias entre o início de 2021 e o transplante, sempre acompanhado pela esposa, já que os filhos foram impedidos de visitá-lo por conta da pandemia de Covid-19, doença que o próprio Maciel também contraiu durante o tratamento.
Maciel relata que a fé foi um apoio importante nesse período. Praticante da religião messiânica, ele e a família faziam orações diárias, incluindo o jorei realizado pela esposa. Ainda assim, enfrentou um momento de depressão, agravado pela perda de parentes para a Covid-19, chegando a desejar a própria morte. Um dos momentos mais marcantes da trajetória foi a decisão da filha de antecipar o casamento, por acreditar que o pai não resistiria à doença, o que levou os médicos a liberá-lo do hospital para acompanhar a cerimônia, realizada apenas no civil, na casa da filha.
Em novembro de 2021, com a fila já próxima das primeiras posições pela gravidade do caso, surgiu um primeiro fígado compatível, mas os exames feitos na Unicamp mostraram que o órgão não estava em condições adequadas, cancelando o procedimento. Dias depois, em 16 de novembro, chegou um novo fígado, e o transplante finalmente foi realizado, dando início à recuperação de Maciel.
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