Estúdio Câmara

Amor e rancor: por que a mágoa pesa mais com quem mais amamos

Psicóloga e psiquiatra explicam no Estúdio Câmara por que amor e rancor podem conviver e como a mágoa não resolvida afeta mente e corpo.

Estúdio Câmara · 2026-10-07

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O Estúdio Câmara desta quarta-feira recebeu duas convidadas para discutir um tema delicado e presente na vida de muita gente: a convivência entre amor e rancor dentro das relações mais próximas. A psicóloga Beatriz Costa e a médica pós-graduada em psiquiatria Ana Luisa Cristal participaram do bate-papo ao vivo, que também abriu espaço para a participação do público por WhatsApp, com relatos e dúvidas sobre como lidar com mágoas guardadas de quem se ama.

Segundo Beatriz Costa, o primeiro passo para lidar com esse sentimento é nomear o que se sente, já que a mente não tem noção de tempo e pode reviver situações antigas como se tivessem acabado de acontecer. A psicóloga explicou a diferença entre mágoa e rancor: enquanto a mágoa é a dor sentida diante de uma situação, o rancor surge quando essa dor se repete e passa a vir acompanhada de hostilidade, muitas vezes como vontade de revidar. Ela também destacou que grande parte desse processo acontece de forma inconsciente, especialmente quando depositamos no outro a responsabilidade pela nossa própria felicidade.

Já a médica Ana Luisa Cristal detalhou os efeitos físicos de guardar mágoa por muito tempo. De acordo com ela, reviver constantemente uma dor libera hormônios como adrenalina e cortisol, que deixam o corpo em estado de alerta prolongado e podem causar sintomas como dor de cabeça, tensão muscular, insônia, ansiedade e até depressão. A psiquiatra alertou que esses dois últimos quadros nem sempre se manifestam com choro, podendo aparecer também como irritabilidade e reações mais intensas no dia a dia.

As convidadas ainda apontaram caminhos para romper o que chamaram de pensamento ruminativo, o ciclo de remoer repetidamente uma mágoa. Entre as sugestões estão a prática de atividade física, o hábito de escrever sobre os próprios sentimentos e a conversa aberta com outras pessoas, além da busca por acompanhamento psicológico quando os sintomas começam a interferir na rotina. O programa reforçou ainda que criar expectativas em relação a quem amamos é natural, mas se torna prejudicial quando passamos a depender do outro para sermos felizes.

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