SAÚDE É VIDA

Apneia do sono: otorrino explica riscos e tratamentos no Saúde é Vida

Otorrinolaringologista detalha no Saúde é Vida como a apneia obstrutiva causa colapso das vias aéreas e eleva risco cardiovascular.

SAÚDE É VIDA · 2026-10-18

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O programa Saúde é Vida desta edição recebeu o otorrinolaringologista Danilo Anunciat Guilar, médico do sono pela Associação Médica Brasileira e secretário do Departamento de Medicina do Sono, para explicar os riscos da apneia obstrutiva do sono, descrita por ele como um inimigo silencioso. Segundo o especialista, a condição é adquirida com o passar dos anos e consiste na obstrução da via aérea superior durante a noite, impedindo a passagem adequada do ar até os pulmões.

De acordo com o médico, essa obstrução obriga o corpo a fazer esforço torácico e abdominal para tentar vencer o bloqueio, o que reduz os níveis de oxigênio no sangue e pode levar, em longo prazo, a comorbidades cardiovasculares. Os despertares frequentes durante a noite também são um efeito comum, deixando a pessoa mais indisposta, cansada e sonolenta durante o dia. Entre os fatores de risco, o especialista citou o sexo masculino, mulheres na fase da menopausa, o avanço da idade, características crâniofaciais como mandíbula ou maxila mais recuadas, e o aumento do índice de massa corpórea, que estreita a região do pescoço.

O médico também esclareceu a diferença entre ronco e apneia: quem tem apneia obstrutiva geralmente ronca, mas há casos raros de apneia sem ronco. Já o ronco primário ocorre quando o ar passa por uma região que vibra, sem haver obstrução ou parada da respiração. Entre os sintomas mais comuns da apneia estão a sensação de sono não reparador e a sonolência excessiva diurna, que pode levar a episódios de sono ao volante ou durante a operação de máquinas, trazendo prejuízos para a vida laboral. O diagnóstico definitivo depende da polissonografia, exame que monitora o tórax, a respiração e a atividade cerebral do paciente durante o sono, realizado em laboratório ou na própria casa do paciente.

Sobre o tratamento, Danilo Anunciat Guilar apontou diversas possibilidades terapêuticas, que variam de acordo com cada caso: uso do CPAP, fonoterapia com exercícios de fortalecimento da musculatura do pescoço, aparelhos que anteriorizam a mandíbula para liberar a via aérea, e até intervenções cirúrgicas em casos de alterações nas amídalas ou na base da língua. Ele destacou que a apneia é uma doença evolutiva, por isso o acompanhamento médico deve ser contínuo, já que fatores como o ganho de peso podem fazer a condição retornar mesmo após anos de estabilidade, exigindo ajustes periódicos no tratamento.

O especialista ainda abordou a apneia em crianças, explicando que ela costuma estar associada ao aumento das amídalas e da adenoide, levando à respiração pela boca e à dificuldade respiratória. Embora mais rara do que nos adultos, a condição pode causar doenças cardiológicas como o cor pulmonale e é mais frequente em crianças com síndromes que afetam a arcada dentária ou a estrutura mandibular, além de casos de obesidade infantil. Segundo o médico, entre 60% e 80% dos casos pediátricos se beneficiam da intervenção otorrinolaringológica, com cirurgia de adenoide e amídalas.

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