
Saúde é Vida explica o Transtorno do Processamento Sensorial em crianças
Terapeuta ocupacional Amanda Alonso detalha sinais do TPS, que desorganiza estímulos sensoriais e afeta comportamento e aprendizagem infantil.
O programa Saúde é Vida recebeu a terapeuta ocupacional Amanda Alonso para uma conversa sobre o Transtorno do Processamento Sensorial, conhecido pela sigla TPS, condição que afeta a rotina de muitas famílias e ainda é pouco discutida fora dos consultórios especializados. Amanda é certificada em integração sensorial pela Universidade do Sul da Califórnia e pela WPS, e há 17 anos atua no desenvolvimento infantil, trabalhando com crianças com transtorno do espectro autista, TPS e transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, com o objetivo de ajudá-las a conquistar autonomia no dia a dia.
Segundo a especialista, o processamento sensorial é a capacidade do sistema nervoso central de receber informações dos sentidos, registrá-las, organizá-las e interpretá-las de forma adequada, gerando uma resposta compatível com o ambiente. Quando esse processo não ocorre de maneira organizada, surge o TPS: as informações chegam confusas e desorganizadas ao cérebro, o que impacta o comportamento, a autorregulação emocional, o desempenho funcional e as atividades motoras da criança.
Amanda explicou que o TPS não aparece como categoria isolada no DSM-5, mas está relacionado a outros transtornos, podendo se manifestar dentro do espectro autista ou do TDAH, nos critérios diagnósticos de ambos. Ainda assim, segundo ela, é possível existir o transtorno do processamento sensorial de forma pura, sem que a criança tenha outra comorbidade associada.
Entre os sinais de alerta, a terapeuta citou a hiperresponsividade, reação excessiva a estímulos como o som de eletrodomésticos, secador de mãos ou a música de parabéns, além de desconforto com texturas de roupas, massinha, slime, cola e argila. Também mencionou a insegurança gravitacional, que leva algumas crianças a evitar brinquedos de parque e balanços, preferindo atividades mais tranquilas durante o recreio, e a seletividade ou recusa alimentar, ligada a questões multissensoriais táteis, olfativas ou auditivas. Há ainda dificuldades relacionadas à praxia e ao planejamento motor, quando a criança sabe o que precisa fazer mas não consegue sequenciar os movimentos, e o perfil das chamadas crianças buscadoras, que têm dificuldade de permanecer sentadas, movimentam o corpo o tempo todo e buscam colocar objetos na boca em uma tentativa de autorregulação.
Amanda alertou que esses comportamentos muitas vezes são confundidos com birra, frescura ou falta de limites, o que contribui para o diagnóstico tardio. O TPS também interfere no desempenho escolar, já que a criança pode direcionar a atenção para o que a incomoda, como uma etiqueta de roupa ou um ruído de fundo, em vez de acompanhar as instruções em sala de aula, além de afetar a estabilidade postural e habilidades motoras como escrever, usar talheres ou amarrar cadarços. Segundo a especialista, hoje escolas, famílias e equipes interdisciplinares estão mais atentas a esses sinais e mais propensas a indicar uma avaliação especializada do que no passado.
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