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Pedagoga cria espaço kids em Campinas e surfa boom do setor infantil

Fátima, formada em magistério em 1996, conta como criou a Vila Baobá, espaço kids no Taquaral, após décadas de ensino e dois empreendimentos anteriores.

SER EMPREENDEDOR · 2026-10-19

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No mês da criança, o programa Ser Empreendedor foi até o espaço Baobá, em Campinas, para mostrar quem empreende no segmento infantil. Segundo pesquisa do IMAR citada no episódio, o setor movimentou 236 milhões de dólares no Brasil em 2025 e a expectativa é superar 454 milhões de dólares até 2034. A mesma pesquisa aponta um investimento inicial em torno de R$ 70 mil para a abertura de um espaço kids ou de um hotelinho infantil.

A convidada da edição é a pedagoga Fátima, formada em magistério em 1996 em Minas Gerais. Ela conta que começou a atuar como professora em 1999, grávida de quatro meses, e decidiu abrir sua própria escola de educação infantil, batizada de Turminha da Mônica. Uma denúncia encaminhada a Maurício de Sousa obrigou Fátima a trocar o nome do negócio, já numa época em que, segundo ela, faltava o conhecimento sobre direitos autorais que existe hoje. A partir daí a quantidade de alunos foi caindo até a venda da escola.

Depois de vender o negócio, Fátima voltou para a sala de aula, passou por ONGs e por um contrato de um ano na prefeitura. Foi durante a pandemia, em meio ao caos da educação online, que decidiu empreender de novo, oferecendo aulas particulares e reforço escolar em casa. Nesse período criou um método próprio, partindo da ideia de que, se a criança não aprende do jeito que está sendo ensinada, é preciso ensinar do jeito que ela consegue aprender. O crescimento da demanda levou à abertura do Vila BC, na Vila União, onde Fátima permaneceu por cinco anos alfabetizando crianças.

O nascimento do neto Tê, hoje com dois anos, fez Fátima repensar o próprio percurso. Mãe de quatro filhos que criou sem rede de apoio, ela quis construir um lugar que oferecesse isso às famílias: contato com a natureza, brincadeiras reais e menos tempo de tela, mas sempre com limites, porque, na visão da pedagoga, amar a infância é também dar limite. Assim encerrou o ciclo do Vila BC e criou a Vila Baobá, nome inspirado na árvore que considera símbolo de força e raiz, e que também remete ao interesse de Fátima pelas africanidades, despertado quando uma semente ganhada de uma família africana germinou em uma turma de ONG que ela chamava de Turma do Baubá.

A mudança também trouxe um desafio de posicionamento: o Vila BC funcionava na Vila União, bairro sem o mesmo poder aquisitivo do Taquaral, onde está a Vila Baobá hoje. Fátima explica que a escolha do novo endereço não foi motivada por critério financeiro, mas pela busca de uma casa grande que combinasse com a proposta do quintal de brincar. O negócio, pensado inicialmente como contraturno escolar, precisou se adaptar a um público que gosta de participar junto com as crianças. Mobiliário pequeno, feito para o tamanho dos pequenos, fez os próprios pais se adaptarem ao espaço, sentando no chão para brincar junto com os filhos.

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