
Mercado infantil impulsiona histórias como a da Vila Baobá, em Campinas
Episódio do Ser Empreendedor mostra dados do setor infantil e a trajetória de Fátima, que criou a Vila Baobá em Campinas.
O episódio do Ser Empreendedor dedicado ao mês da criança apresentou números do segmento infantil levantados pelo instituto IMAR: o setor movimentou 236 milhões de dólares no Brasil em 2025 e a projeção é de que esse valor supere 454 milhões de dólares até 2034. A mesma pesquisa aponta que abrir um espaço kids, como um hotelinho infantil, exige um investimento inicial estimado em cerca de R$ 70 mil.
Para falar sobre esse mercado, o programa conheceu a trajetória de Fátima, formada em magistério em 1996, em Minas Gerais. Ela começou a dar aulas em 1999 e, grávida de quatro meses, decidiu abrir sua própria escola de educação infantil ainda naquele ano, batizada de Turminha da Mônica. Por conta de uma denúncia relacionada aos direitos dos personagens, precisou trocar o nome do negócio, o que, segundo ela, contribuiu para a queda no número de alunos até a venda da escola.
Depois de vender o primeiro empreendimento, Fátima voltou à sala de aula, passou por ONGs e por um contrato de um ano na prefeitura. Durante a pandemia, decidiu empreender novamente, desenvolvendo um método próprio de ensino e oferecendo aulas particulares em casa. O atendimento cresceu até se transformar em um espaço alugado, o Vila ABC, aberto em sociedade com uma amiga que deixou o negócio após cerca de um ano. Fátima seguiu sozinha por cinco anos no bairro Vila União.
O nascimento do neto, chamado Té, a fez repensar o formato do negócio. Mãe de quatro filhos criados sem rede de apoio, ela quis oferecer a outras famílias algo que não teve: um lugar de contato com a natureza e de brincadeiras livres, com limites, afastado das telas. Encerrou o Vila ABC e criou a Vila Baobá, nome inspirado na árvore conhecida como árvore da vida, ligada à paixão de Fátima pelas africanidades e a uma lembrança de uma semente plantada com crianças de uma ONG onde trabalhou.
A mudança também levou o negócio da Vila União para o bairro Taquaral, de maior poder aquisitivo, mas Fátima explica que a escolha não foi motivada por questão financeira, e sim pela busca de uma casa grande que coubesse ao conceito de quintal de brincar. A adaptação ao novo público também mudou o formato original: pensado como contraturno escolar, o espaço passou a receber famílias inteiras, já que os pais do bairro preferem participar das brincadeiras junto com os filhos, sentados no chão, ao lado das mesinhas pensadas para o tamanho das crianças.
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