
Débora Lamm fala de teatro, humor e a personagem Cecília no Trilha das Artes
Em reprise, a atriz carioca Débora Lamm relembra a escolha pelo teatro, o humor como marca de carreira e a peça A Pediatra.
O Trilha das Artes desta semana traz em reprise um bate-papo com a atriz e diretora carioca Débora Lamm, que soma quase 30 anos de carreira em peças, séries, filmes e novelas como Confissões de Adolescente, Celebridade, A Grande Família, Mania de Você, Zorra e Malhação. Na conversa com a apresentadora Mônica Montenegro, ela falou sobre sua trajetória, o gosto pelo humor e o trabalho recente nos palcos, além de apresentar suas escolhas musicais para o programa.
Débora contou que começou a cursar arquitetura antes de se render ao teatro, apesar de a família insistir desde cedo que ela deveria seguir esse caminho. Segundo a atriz, ela resistia porque queria ter certeza de que a escolha era realmente sua, e não uma expectativa alheia. Quando decidiu abandonar a faculdade para virar atriz, o pai ficou apreensivo por um dia, mas logo demonstrou apoio total, deixando um bilhete embaixo da porta do quarto dela com a frase: onde você for, eu tô com você.
O humor apareceu como um dos temas centrais da entrevista. Débora atribuiu essa característica ao ambiente familiar em que cresceu, marcado por muita risada entre pais, avós e irmãs, e defendeu que o humor é subestimado enquanto ferramenta de comunicação. Para ela, por ser despretensioso, o humor desarma o público e abre espaço para reflexão e crítica, funcionando como uma forma de conexão mais natural com o espectador.
Ao longo do programa, a atriz comentou suas escolhas musicais, que incluíram uma faixa de Gilberto Gil na abertura, Cor de Rosa Choque, parceria de Rita Lee com Roberto de Carvalho, e Falou a Amizade, de Caetano Veloso. Débora relembrou o legado de Rita Lee e falou sobre como a música de artistas como Caetano, Gil, Chico Buarque, Gal Costa e Maria Bethânia a acompanhou na adolescência, período em que se reconhecia nas letras enquanto tentava entender o mundo.
A entrevista também passou pelo trabalho atual de Débora nos palcos, à frente da peça A Pediatra, adaptação do romance de Andréa Del Fuego que foi traduzido para sete idiomas e considerado uma das melhores leituras de 2022. Na peça, dirigida por Inês Viana, ela vive Cecília, uma pediatra que odeia crianças e mães e é descrita pela atriz como uma personagem ao mesmo tempo perturbadora e fascinante. A própria autora do livro chegou a comparar o encontro entre a personagem e a atriz à imagem de um astronauta que finalmente encontra o planeta de seu destino.
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