
Geraldo Leite lança caixinha interativa com 52 nomes da MPB
Pesquisador e ex-integrante do grupo Rumo, Geraldo Leite conta ao Trilha das Artes os bastidores do livro caixinha dedicado à MPB.
O Trilha das Artes recebeu o pesquisador, radialista e músico Geraldo Leite, que integrou o Rumo, um dos principais grupos da Vanguarda Paulista. Na conversa com a apresentadora Mônica Montenegro, ele apresentou seu projeto mais recente, o livro caixinha Heróis e Heroínas da MPB, lançado pela Matrix Editora com ilustrações de Eduardo Batistão.
Geraldo explicou que o formato em caixinha, no modelo de um baralho, impôs um limite de 52 nomes. A seleção levou em conta artistas já falecidos, como forma de celebrar sua passagem, além da contribuição de cada um para a consolidação da música popular brasileira. Ele buscou representar a diversidade de origens, do Nordeste a São Paulo, sem deixar de lado a base histórica do Rio de Janeiro, reunindo desde Ernesto Nazaré, o nome mais antigo da coleção, até perdas recentes como Nana Caymmi, João Donato e Elza Soares.
A ideia da caixinha nasceu de uma lembrança de mais de 40 anos, quando Geraldo encontrou em Nova York um produto chamado Heroes of the Blues, com capa ilustrada pelo cartunista Robert Crumb. Ele quis reproduzir a fórmula no Brasil, mas abrangendo toda a riqueza da música popular, não apenas um gênero. Cada card do projeto brasileiro dá acesso a uma playlist exclusiva no Spotify, somando mais de quatro horas de música dedicadas aos 52 artistas. Ele também apresenta cada um deles semanalmente em um programa na web rádio The Late, atualmente na décima edição.
Segundo o convidado, condensar biografias tão ricas em poucas palavras foi um dos maiores desafios do trabalho, assim como montar playlists sem repetir interpretações entre artistas ligados entre si, caso de Tom Jobim, João Gilberto e Vinícius de Moraes, cujas canções muitas vezes se cruzam.
Geraldo também destacou o papel dos festivais de música popular na trajetória de muitos dos nomes presentes na caixinha, lembrando programas de TV como O Fino da Bossa e Esta Noite se Improvisa, além do espaço que a música ocupava na grade das emissoras antes de existir a internet. Para ele, acompanhar a MPB é também acompanhar a história do Brasil, incluindo a resistência da arte durante a ditadura militar, e entender como a música traduz sentimentos, ironias e relações que não cabem nos livros de história.
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