
Jopa Moraes leva teatro brasileiro à China e à Rússia, conta no Trilha das Artes
Ator e dramaturgo da Armazém Companhia de Teatro fala sobre turnês internacionais, múltiplas funções nos palcos e as músicas que escolheu para o programa.
O programa Trilha das Artes, da Rádio Câmara Campinas, recebeu o ator, diretor, dramaturgo e produtor Jopa Moraes para um bate-papo conduzido por Mônica Montenegro. Integrante da Armazém Companhia de Teatro, ele contou sua trajetória nos palcos e escolheu as músicas que embalaram a conversa, entre elas o britânico James Blake, que abriu a atração.
Nascido em 1995 em Londrina, no Paraná, Jopa é filho de Paulo de Moraes, diretor da Armazém, e de Patrícia Ceylon, atriz da companhia fundada pelos pais ao lado de outros artistas. Ele relatou que cresceu em contato direto com a criação coletiva do teatro e que, apesar de ter passado pela produção de histórias em quadrinhos e pela poesia na adolescência, foi a força do trabalho em grupo que o atraiu definitivamente para os palcos. Em 2013 entrou oficialmente na Armazém, interpretando um jovem instrumentador cirúrgico em uma peça que refletia sobre o clima de efervescência política daquele ano.
Na companhia, Jopa acumula funções como ator, dramaturgo, produtor, cenógrafo, operador de luz e som e designer gráfico, ficando de fora apenas da direção, papel exercido por Paulo de Moraes desde a fundação do grupo. Ele explicou que esse acúmulo de tarefas nasce mais da necessidade de manter a companhia funcionando em momentos de dificuldade financeira do que de uma escolha, e defendeu mais investimento público para que essas funções possam ser exercidas com dignidade. O ator também falou sobre um momento recente de redescoberta da escrita durante um processo de dramaturgia, descrevendo a experiência como mais livre do que em trabalhos anteriores.
Outro ponto da entrevista foi a circulação internacional da Armazém, intensificada após a pandemia, com apresentações em países como Rússia e China. Jopa comentou os desafios da legendagem dos espetáculos e destacou a relação construída com o público chinês, onde a companhia já se apresentou cinco ou seis vezes. Segundo ele, a China é o único país além do Brasil em que a Armazém desenvolveu público próprio, majoritariamente jovem e feminino, formado por espectadoras que, por independência econômica, decidem investir em teatro.
A trilha sonora escolhida por Jopa passou ainda por Tinta y Tiempo, do uruguaio Jorge Drexler, que ele descreveu como uma reflexão sobre o ato de criar, e por Estante de Livros, de FBC e Dom Hely, do álbum O Amor, o Perdão e a Tecnologia. O convidado explicou que as músicas não foram escolhidas por serem as mais importantes de sua vida, mas por estarem ligadas a momentos de criação artística que viveu.
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