Trilha das Artes

Myriam Scotti fala sobre literatura, maternidade e as Amazônias no Trilha das Artes

Escritora manauara conta como a maternidade e o romance Terra Úmida a reconectaram com a floresta e sua própria história familiar.

Trilha das Artes · 2026-08-06

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O programa Trilha das Artes, apresentado por Mônica Montenegro, recebeu a escritora Myriam Scotti, crítica literária, mestre em literatura pela PUC de São Paulo e formada em direito pela Universidade Federal do Amazonas. Desde 2014 dedicada exclusivamente à literatura, ela venceu em 2020 o prêmio literário da cidade de Manaus com o romance Terra Úmida, teve o livro juvenil Quem Chamarei de Lar selecionado pelo Programa Nacional do Livro Didático e acaba de lançar um novo livro de contos.

Na conversa, Myriam contou como a maternidade a afastou da advocacia e a aproximou da escrita. Depois de um parto difícil e de um período de depressão pós-parto, ela abriu um blog para relatar as experiências como mãe de primeira viagem. As crônicas maternas viraram livro, e as histórias criadas para o filho Daniel se transformaram em livros infantis, que ela passou a levar às escolas de Manaus. Esse percurso, segundo ela, foi o início de um processo mais consciente de formação como escritora, que passou por oficinas literárias e culminou na publicação de contos.

Convidada a escolher músicas para embalar o bate-papo, Myriam abriu a trilha com Metamorfose Ambulante, de Raul Seixas, canção associada à mudança de carreira e também à memória de infância, já que era cantada pelo pai ao violão nas tardes de domingo. O programa também trouxe Caminhos do Rio e Porto de Lenha, do grupo amazonense Raízes Caboclas, escolhidas para acompanhar as passagens da entrevista dedicadas à Amazônia.

Myriam relatou ainda como a escrita do romance Terra Úmida a levou a uma reconexão com a floresta para além da rotina urbana de Manaus, com passeios de barco, noites fora de casa e mergulhos nos rios. O processo também a aproximou da história de sua família, descendente de judeus marroquinos que chegaram à cidade durante o primeiro ciclo da borracha, o que exigiu pesquisa em teses e dissertações da Universidade Federal do Amazonas.

Para a escritora, a experiência de escrever o romance representou uma virada pessoal, marcada pelo reencontro com a cidade, com o território amazônico e com a própria trajetória familiar.

Músicas e artistas citados
Metamorfose Ambulante - Raul SeixasCaminhos do Rio - Raízes CaboclasPorto de Lenha - Raízes Caboclas
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