Trilha das Artes

Ilustrador Marcelo Pimentel revela como transforma memória em livros infantis

Formado pela UFRJ e premiado na Alemanha, Rússia e Coreia do Sul, ilustrador fala sobre processo criativo e livros de imagem no Trilha das Artes.

Trilha das Artes · 2026-09-24

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O programa Trilha das Artes, da Rádio Câmara, recebeu o designer gráfico e ilustrador Marcelo Pimentel, formado pela Escola de Belas Artes da UFRJ. Com mais de 30 livros infantis e juvenis ilustrados, ele já recebeu três vezes o selo Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil e teve trabalhos reconhecidos em premiações na Alemanha, na Coreia do Sul e na Rússia.

Na conversa com a apresentadora Mônica Montenegro, Pimentel contou que desenha desde a infância, quando copiava personagens da Disney aos cinco ou seis anos de idade. Hoje ele mantém contato direto com o público infantil em visitas a escolas, bibliotecas e feiras literárias, experiência que, segundo ele, aproxima as crianças da ideia de que também podem se tornar artistas.

Sobre o processo criativo, o ilustrador explicou que ora trabalha em parceria com autores e editoras, ora desenvolve projetos autorais. Foi assim que surgiu, no fim dos anos 1990, seu primeiro livro sem texto verbal, Fim da Fila, criado a partir do desafio de um amigo editor. Anos depois veio Flor do Mato, de 2018, outro livro contado inteiramente por imagens. Pimentel refletiu sobre a percepção ainda em transformação desses livros, defendendo que a leitura de imagem carrega símbolos, camadas e mensagens tão complexas quanto o texto escrito e não deveria ser vista como exclusiva do público não alfabetizado.

A música também tem papel central em seu processo de criação. Pimentel disse ouvir canções ligadas ao tema de cada obra, como no livro ambientado no sertão mineiro, e afirmou gostar especialmente de música popular brasileira com um toque rural, que evoque um Brasil profundo e contemplativo. Para o programa, ele selecionou as canções Porto, de Dorica Eme, Morro Velho, de Milton Nascimento, e Toada, do grupo Boca Livre.

O ilustrador falou ainda sobre os desdobramentos inesperados de seu trabalho, como a transformação de Fim da Fila em curta metragem de animação, projeto realizado com o amigo William Kogo e viabilizado por financiamento coletivo, exibido em festivais, premiado e disponibilizado gratuitamente na internet. Ele também comentou a emoção de ver a obra virar exposição na Coreia e projeto escolar na Suíça, resultados que, segundo ele, foram muito além do que imaginava ao criá-la.

Músicas e artistas citados
Porto - Dorica EmeMorro Velho - Milton NascimentoToada - Boca Livre
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