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Construção regenerativa transforma entulho em tijolo ecológico

Especialista Luig Romano explica ao Giro Ambiental como resíduos de demolição se tornam matéria-prima para casas mais baratas e sustentáveis.

GIRO AMBIENTAL · 2026-11-04

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A construção civil e a operação de edifícios respondem por cerca de 37% das emissões globais de CO2 e 28% do consumo mundial de energia, segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Para discutir alternativas a esse cenário, o Giro Ambiental desta semana recebeu o especialista Luig Romano, que apresentou o conceito de construção regenerativa em conversa com a apresentadora Camila.

Romano explicou que existe uma confusão comum entre construção sustentável e construção regenerativa. Enquanto a primeira busca usar materiais de baixo impacto, como madeiras de reflorestamento ou produtos poliméricos no lugar do cimento (responsável por cerca de 5% das emissões totais de CO2), a construção regenerativa vai além: ela reaproveita resíduos e lixo dentro da própria cadeia produtiva. Como exemplo, ele citou o trabalho da Alfa Ambiental, parceira do Grupo Alfas, que recolhe entulho de demolição de grandes cidades, inclusive no Vale do Paraíba, separa ferro, cimento e plástico, e tritura o material até transformá-lo em insumo para novas construções, gerando areia, brita, rachão e tijolos.

Outro ponto destacado foi a importância de considerar as características de cada região antes de iniciar um projeto. Segundo o especialista, usar madeira amazônica em áreas litorâneas, por exemplo, tende a resultar em menor durabilidade. Ele detalhou o funcionamento do tijolo ecológico, feito com solo e cimento, sem queima, e que pode incorporar resíduos de plástico e garrafas PET. A tecnologia é considerada pela ONU o melhor sistema construtivo do mundo e permite reduzir em até 30% a 40% o custo em relação a uma construção convencional.

Romano ressaltou ainda que o modelo pode ser aplicado por famílias de baixa renda, que podem fabricar os próprios tijolos no quintal de casa com uma máquina de baixo custo, reduzindo gastos com cimento, madeira e mão de obra, além de gerar renda extra com a venda do excedente. Ele mencionou também o uso de tinta polimérica, que não emite fenol como as tintas convencionais, e o conforto termoacústico proporcionado pelos alvéolos do tijolo ecológico, que mantêm a casa fresca no calor e quente no frio.

Para o especialista, o principal obstáculo à disseminação da construção regenerativa no Brasil é a falta de conhecimento sobre a técnica, e não a falta de interesse. Segundo ele, a metodologia é oferecida gratuitamente em vídeos e materiais disponíveis na internet, mas ainda não se tornou um padrão obrigatório no setor da construção civil.

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