
Giro Ambiental apresenta álbum Sol Quimérico, de músico de Campinas
Leandro Cerizo fala sobre o álbum Sol Quimérico, criado após disciplina na Unicamp e leitura de livro de Ailton Krenak sobre as queimadas na Amazônia.
O Giro Ambiental desta semana recebeu o compositor, sanfoneiro e produtor de Campinas Leandro Cerizo para falar sobre o álbum Sol Quimérico, um trabalho que usa a música para discutir crise climática, consumo, urbanização e o futuro do planeta. Segundo o músico, o interesse pelo tema ambiental nasceu em uma disciplina de tópicos especiais na Unicamp, conduzida pela professora Regina Machado, em um momento marcado pelas queimadas na Amazônia, nos anos de 2023 e 2024.
Durante a disciplina, a professora trouxe diversos livros para que os alunos criassem um número cênico musical capaz de despertar o debate sobre as questões ambientais. Entre essas leituras, Leandro destaca o livro Ideias para Adiar o Fim do Mundo, do líder indígena Ailton Krenak, como uma obra transformadora para ele. Foi a partir dessa vivência, somada à sua trajetória de militância desde os tempos de estudante da ETCAP, em Campinas, e depois na UFSCar e na Unicamp, que surgiu a vontade de retomar e recriar as canções que viriam a compor o disco.
Sol Quimérico conta uma história distópica ambientada no ano de 222, em que a humanidade é controlada por um governo cyborg alienígena por meio de um ruído constante, enquanto seres quimeras, meio humanos e meio abutres, vivem à margem da sociedade, sobrevivendo dos restos da civilização. As faixas abordam temas como urbanização, uso excessivo de tecnologia e redes sociais, saúde mental, conflitos armados e crise climática. Músicas como Paradoxo do Futuro, G-HD e Cyborg Tiranos tratam diretamente dessas questões, dialogando com reflexões do livro de Krenak sobre a devastação de florestas e rios e seus efeitos sobre toda a humanidade.
Apesar do cenário difícil retratado, o álbum também carrega mensagens de esperança, presentes em faixas como Santuário, inspirada na memória da mãe do músico indo trabalhar de madrugada na periferia de Campinas, e Mosteiro do Abismo, que fala sobre fé e resiliência. As duas faixas que dão nome ao disco remetem a uma divindade solar que os seres quimeras esperam que retorne para restaurar a humanidade, ainda que não da forma idealizada. Musicalmente, Leandro descreve o trabalho como caótico, construído com variações rítmicas, polimetria e polirritmia, em parceria com o baterista Kiko Drama.
Para o músico, que também atua como educador social, o disco reflete sobre como sua geração, nascida no fim dos anos 1990 e início dos 2000, vivenciou a transição para um mundo hiperconectado e hiperestimulado, levantando questões urgentes sobre consciência, saúde mental e o papel da tecnologia na vida contemporânea. Segundo ele, a arte se tornou a forma encontrada para abordar essas questões de maneira sensível e urgente.
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