
Giro Ambiental debate letramento climático em meio ao ceticismo dos brasileiros
Pedagogo Felipe Peixoto explica como o letramento climático ajuda a entender enchentes e calor extremo, mesmo com 44% dos brasileiros céticos sobre a crise, no Giro Ambiental.
Um estudo da Escola de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que 44% dos brasileiros demonstram ceticismo em relação à gravidade da crise climática. Para discutir esse cenário, o Giro Ambiental recebeu o pedagogo Felipe Peixoto, mestre e doutorando em educação e analista de identidade, missão e vocação na Rede Marista Brasil, que falou sobre a importância do letramento climático para a população.
Segundo Felipe, o letramento climático é um processo de conhecimento e formação sobre as questões socioambientais, que ajuda a entender que eventos como as enchentes no Rio Grande do Sul ou no sul da Bahia não são obra do acaso, mas consequência de múltiplos fatores socioambientais e políticos. Ele destacou que o modelo de sociedade produtivista, em que as pessoas saem para trabalhar de madrugada e voltam apenas à noite, dificulta esse entendimento, assim como a tendência de tratar o clima a partir do medo e da ansiedade, em vez da esperança. O pedagogo citou ainda que gerações inteiras já não têm contato com árvores e parques nas cidades, o que afasta as pessoas da natureza, e lembrou a expressão do Papa Francisco sobre a Terra como uma casa comum que precisa ser cuidada.
Felipe também explicou que algumas regiões do Brasil já enfrentam processos de desertificação, e que a Amazônia, junto com a Cordilheira dos Andes, evita que o continente tenha grandes desertos. Ele mencionou o desmatamento de biomas como o Pantanal e a Mata Atlântica, destacando que restam poucos hectares nativos da Mata Atlântica em São Paulo, o que impacta diretamente a região de Campinas. Para ele, o letramento climático, apoiado no debate científico produzido desde o século XX, ajuda a combater o negacionismo e permite diferenciar informações confiáveis de conteúdos falsos, inclusive dentro das escolas, onde crianças e adolescentes aprendem a investigar causas e propor soluções para problemas socioambientais.
O pedagogo reforçou que pequenas atitudes individuais também fazem diferença, como a separação do lixo orgânico do reciclável. Ele explicou que o lixo orgânico pode se transformar em adubo em composteiras usadas por hortas coletivas e comunitárias, que depois distribuem alimentos para a população, enquanto o material reciclável facilita o acesso à renda de catadores.
Felipe encerrou a entrevista falando sobre o Observatório Marista do Clima, criado como resposta ao chamado do Papa Francisco na Laudato Si, em seus 10 anos. A iniciativa está presente na maioria das 97 escolas da Rede Marista Brasil, entre colégios pagos e escolas sociais espalhadas pelo país, e integra o tema às matrizes curriculares da rede e à BNCC.
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