
Giro Ambiental mostra como o Wastebank transforma reciclagem em renda e PIX
Gabriel Pedreira, CEO do Wastebank, explica ao Giro Ambiental como catadores e famílias trocam material reciclável por renda em cartão digital.
O Giro Ambiental desta semana recebeu Gabriel Pedreira, fundador e CEO do Wastebank, o banco digital da reciclagem. Na conversa, ele explicou como a plataforma une educação financeira e tecnologia sustentável para transformar em renda aquilo que boa parte da população ainda trata como simples descarte.
Segundo Pedreira, o Wastebank atua em duas frentes. A primeira é voltada a catadores, cooperados, cooperativas e empresas que trabalham profissionalmente com reciclagem, oferecendo uma conta digital de atendimento humanizado com produtos sociais como telemedicina do Albert Einstein com tarifas sociais, seguro de acidentes pessoais da Tóquio Marine e assistência funeral do Grupo Zelo. A segunda frente é voltada ao cidadão comum, que pode levar seus resíduos recicláveis a um ponto inteligente e transformá-los em PIX ou em pontos trocáveis por descontos em supermercados, padarias, farmácias e açougues cadastrados.
Na prática, o catador vende o material reciclável a uma cooperativa ou empresa de reciclagem e recebe o valor em um cartão do Wastebank, em vez de dinheiro em espécie. Com o cartão, ele pode fazer compras, usar o celular para PIX, pagar boletos e fazer transferências. Pedreira destacou que a equipe do Wastebank também oferece orientação para a parcela da população que ainda tem dificuldade com tecnologia, promovendo inclusão financeira para pessoas desbancarizadas.
O conceito central da plataforma, resumido na frase 'meu resíduo gera valor', foi ilustrado com exemplos práticos: entre 60 e 70 latinhas de alumínio de 350 ml equivalem a um quilo do material, hoje avaliado em cerca de R$ 10. Já um litro de óleo de cozinha usado, que pode contaminar mais de 200 mil litros de água se descartado na pia, vale R$ 4,50. Para localizar o ponto de entrega mais próximo, o Wastebank oferece o Waste Map, um mapa digital nos moldes do Waze. A plataforma também instala máquinas recicladoras em escolas municipais e estaduais, usando o resíduo como ferramenta de educação transversal em disciplinas como geografia, matemática e ciências, e convertendo o material em fundos que já viraram bolas de futebol, computadores e televisores para as instituições. Em Campinas, há um ecoponto educativo na região do Campo Grande, no bairro Novo Mundo, resultado de uma parceria com a construtora MRV batizada de 'Um Novo Mundo para a Sustentabilidade'.
Para encerrar a entrevista, Pedreira reforçou que o descarte incorreto de resíduos recicláveis vai além do impacto ambiental: potes e latinhas acumulados podem reter água da chuva e se tornar criadouros do mosquito da dengue, além de atrair pragas e comprometer a saúde pública e a economia local.
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