GIRO AMBIENTAL

Amazônia tem desmatamento zero em 80% das áreas protegidas no 1º semestre

Imazon aponta queda de 23% no desmatamento da Amazônia Legal e 588 territórios protegidos sem devastação, segundo o Giro Ambiental.

GIRO AMBIENTAL · 2026-10-14

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Mais de 80% das áreas protegidas da Amazônia registraram desmatamento zero entre janeiro e junho de 2026, totalizando 588 territórios sem devastação. O dado é do Imazon, Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, que monitora a floresta por imagens de satélite desde 2008 e foi detalhado no programa Giro Ambiental, em entrevista com Manuela Ataíde, pesquisadora do Sistema de Alerta de Desmatamento da instituição.

Segundo Manuela, o monitoramento do Imazon acompanha toda a Amazônia Legal com base em um calendário de desmatamento que vai de agosto de um ano a julho do ano seguinte, definido pelo regime de chuvas da região. Além do desmatamento, que é o corte raso da vegetação, o instituto também monitora a degradação florestal, dividida em exploração madeireira e queimada, que representam a retirada parcial da cobertura vegetal.

No período de janeiro a junho, foram registrados 1.145 quilômetros quadrados desmatados. Já no calendário de agosto de 2025 a julho de 2026, houve queda de 23% em relação ao ano anterior. A pesquisadora explicou que, embora o sistema de alerta não classifique o uso posterior das áreas desmatadas, os números permitem inferir maior fiscalização e punição a responsáveis por desmatamento ilegal, especialmente em regiões identificadas como mais pressionadas. Na série histórica dos últimos oito anos, 2022 teve o maior volume de desmatamento, com tendência de alta entre 2020 e 2022 e queda a partir de agosto de 2023.

Terras indígenas e unidades de conservação, tanto de proteção integral quanto de uso sustentável, apresentaram redução no desmatamento, o que, segundo Manuela, mostra que essas áreas estão cumprindo seu papel de conter a devastação. Ainda assim, a pesquisadora alertou que as zonas de amortecimento no entorno dessas áreas continuam sob forte pressão sobre povos originários e outras comunidades. Um destaque negativo foi a APA Triunfo do Xingu, unidade de uso sustentável que concentrou metade do desmatamento registrado nas áreas protegidas no período, o que a pesquisadora associa à liberação de algumas atividades dentro dessas unidades, abrindo espaço para desmatadores ilegais e grileiros.

Pará, Amazonas e Mato Grosso seguem como os estados com as maiores áreas desmatadas, historicamente entre os três primeiros lugares nesse tipo de monitoramento, em atividades geralmente ligadas à agropecuária, como pecuária e soja. Para a pesquisadora do Imazon, a expectativa é que a queda no desmatamento continue, desde que haja aumento no efetivo de fiscalização e punição a quem comete as invasões de terra, de forma a proteger a biodiversidade e as populações que vivem nesses territórios.

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