
Sonolência após o almoço: pneumologista explica causas e quando é preciso buscar ajuda
Pneumologista do Hospital Sírio-Libanês explica por que sentimos sono após o almoço e quando essa sensação pode indicar um problema de saúde.
Nesta edição do Saúde Agora, o pneumologista Maurício Bagnato, especialista em medicina do sono e responsável pelo serviço de polissonografia e pelo núcleo de medicina avançada do sono do Hospital Sírio-Libanês, explicou por que boa parte das pessoas sente sono logo depois do almoço. Segundo o médico, essa sensação é fisiológica e está ligada a uma queda natural do ritmo circadiano, que ocorre por volta das 13h15 e 13h30, reduzindo discretamente a temperatura cerebral e o estado de alerta do organismo.
O especialista listou outros fatores que se somam a essa queda circadiana. Refeições muito grandes, ricas em carboidratos de absorção rápida, gordura e bebida alcoólica, pioram a sonolência. O aumento da insulina e da glicose após o almoço eleva a produção de triptofano, substância precursora da serotonina e da melatonina, o que intensifica o sono. Também entram na equação a queda da saciedade provocada pela ação do hormônio GLP-1 e a atuação do sistema nervoso parassimpático, que reduz a frequência cardíaca e a atividade metabólica, favorecendo o relaxamento.
Segundo Bagnato, quando esses cinco fatores combinados produzem apenas uma sonolência leve, não há motivo para preocupação. Ele recomenda, inclusive, um cochilo programado de no máximo trinta minutos após o almoço, prática já adotada por executivos e empresas para melhorar a performance no trabalho, além de ajustes na dieta, com mais fibras e proteínas, menos carboidratos rápidos e álcool, boa hidratação e uma caminhada leve depois das refeições.
O médico alertou, porém, para os casos em que a sonolência pós-almoço é incapacitante, causa déficit cognitivo, dificuldade de memória e concentração e aumento da irritabilidade. Nessas situações, é preciso investigar causas orgânicas, como efeito residual de medicações, anemia, flutuação glicêmica, hipotireoidismo e distúrbios do sono como a apneia, que afeta quase um terço da população brasileira, a resistência de vias aéreas superiores e a síndrome das pernas inquietas.
Para identificar essas condições, Bagnato citou a polissonografia como principal exame, capaz de mostrar fragmentação do sono, esforço respiratório excessivo, movimentos de membros inferiores e alterações neurológicas durante a noite. Segundo ele, o sono fragmentado reduz os chamados sonos nobres, o REM e o N3, que deveriam ocupar cerca de 40% do tempo de descanso, e a cobrança por essa má qualidade de sono aparece justamente no período da tarde.
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