
Montanha-russa pode lesionar a coluna, alerta ortopedista no Saúde Agora
Caso de mulher que perdeu movimentos após andar de montanha-russa motiva ortopedista a explicar riscos do brinquedo para a coluna cervical e lombar.
A edição desta semana do Saúde Agora, da Rádio Câmara Campinas, discutiu os riscos que montanhas-russas podem representar para a coluna vertebral. O programa foi motivado por um caso recente, exibido em telejornais, de uma mulher que perdeu os movimentos de um lado do corpo após andar nesse tipo de atração em um parque de diversões, apresentando convulsão e desmaio logo após o brinquedo parar. Para comentar o tema, o programa recebeu o ortopedista e especialista em coluna André Evaristo Marcondes.
Segundo o médico, as mudanças bruscas de direção e os solavancos típicos das montanhas russas sobrecarregam a coluna cervical, a coluna torácica e a coluna lombar, podendo sim causar lesões. Ele explicou que, em teoria, uma atração certificada e dentro das normas de segurança não deveria causar lesão em uma pessoa sem problemas prévios de coluna. O risco aumenta em quem já tem hérnia de disco, protusão, instabilidade, artrose facetária severa, escoliose ou alteração do ângulo cervical, e também é maior em pessoas a partir dos 55 ou 60 anos, embora as lesões possam acontecer em qualquer idade.
André detalhou que o tipo de lesão mais comum nesses casos é a hérnia de disco, quando o disco intervertebral, que funciona como amortecedor entre as vértebras, acaba se rompendo e vazando conteúdo que comprime estruturas da coluna. Fraturas de corpo vertebral e luxações também podem ocorrer, mas são mais raras. Para o especialista, episódios como esse tendem a ser fatalidades isoladas, e não uma falha de rotina do equipamento, mas cabe às autoridades investigar a fundo se a atração realmente se mostrou segura.
O ortopedista orientou que qualquer pessoa que sinta dor ou desconforto após sair de uma montanha-russa procure atendimento médico imediatamente, já que se trata de uma lesão traumática e não de uma doença que se desenvolve gradualmente, o que torna difícil para o próprio indivíduo avaliar a gravidade do quadro sozinho. Ele recomendou que quem já tem diagnóstico de problema na coluna converse com um especialista antes de participar desse tipo de atividade, para avaliar se a lesão é compatível com o brinquedo, mas destacou que isso não significa proibição automática, já que tratamentos como fisioterapia, infiltração e até substituição de disco podem dar mais segurança a esses pacientes.
Sobre formas de minimizar o impacto durante o passeio, André afirmou que não há uma orientação postural eficiente garantida, já que as lesões ocorrem justamente quando a musculatura não está contraída no momento exato da aceleração ou da mudança brusca de direção. A recomendação geral é manter a musculatura preparada para os movimentos bruscos e, sobretudo, ficar atento a qualquer dor ou sintoma ao sair da atração, buscando ajuda médica o quanto antes.
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