SAÚDE AGORA

Doenças inflamatórias intestinais crescem 5 vezes em 13 anos no Brasil

Gastroenterologista explica no Saúde Agora por que casos de Crohn e retocolite ulcerativa dispararam no país e como identificar os sinais de alerta.

SAÚDE AGORA · 2026-10-15

saúde intestinaldoença de Crohnretocolite ulcerativagastroenterologiaalimentação ultraprocessadadiagnóstico precoce
Esta edição já saiu do ar. A rádio mantém no ar sempre a edição mais recente do programa.Ouvir a edição atual

O programa Saúde Agora recebeu o gastroenterologista Alexandre de Souza Carlos, membro titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia e médico do Departamento de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas de São Paulo, para falar sobre o avanço das doenças inflamatórias intestinais no Brasil. Segundo o especialista, em apenas 13 anos o número de diagnósticos cresceu cinco vezes no país, com a prevalência saltando de cerca de 30 para até 158 casos a cada 100 mil habitantes, um dado que preocupa pela pressão que gera sobre a estrutura de saúde.

De acordo com o médico, o Brasil vive hoje uma transição epidemiológica semelhante à registrada na Europa Ocidental e nos Estados Unidos na época da Revolução Industrial. A urbanização, a industrialização e, principalmente, a dieta ocidentalizada, rica em alimentos ultraprocessados, são apontados como os principais responsáveis pelo aumento dos casos, já que esses produtos alteram a microbiota intestinal, aliada importante da imunidade.

O especialista explicou as diferenças entre as duas principais doenças inflamatórias intestinais: a retocolite ulcerativa, restrita ao intestino grosso, e a doença de Crohn, que pode acometer qualquer região do trato digestivo, da boca ao ânus. Os sinais de alerta incluem diarreia crônica por mais de um mês, presença de sangue ou secreção nas fezes, dor abdominal persistente, sintomas noturnos e perda de peso sem motivo aparente. Para o diagnóstico, são utilizados exames de sangue, o exame de fezes conhecido como calprotectina fecal, colonoscopia e exames de imagem como tomografia ou ressonância.

Ainda sem cura, as doenças são consideradas crônicas, mas o tratamento personalizado, que combina medicamentos, cirurgia quando necessário e hábitos como alimentação equilibrada, atividade física, boa higiene do sono e controle do estresse, pode levar o paciente à remissão e a uma qualidade de vida próxima da normalidade. O quadro costuma atingir mais pessoas entre 20 e 40 anos, sem predileção clara por sexo, e estudos apontam tendência de aumento de casos até 2035.

O médico alertou ainda para o impacto emocional da doença, que pode levar a isolamento social e constrangimento em ambientes públicos e de trabalho, reforçando a importância do acolhimento ao paciente. Ele destacou que o diagnóstico tardio é um problema de saúde pública mundial, pois aumenta a chance de pior resposta ao tratamento medicamentoso e de necessidade de cirurgia, por isso defende maior capacitação de clínicos, pediatras, geriatras e outros profissionais da linha de frente para reconhecer os sinais da doença.

Outras edições de SAÚDE AGORA