
Marina Miglio fala sobre saúde mental e liberdade criativa no Trilha das Artes
Vocalista da banda mineira Lamparina, Marina Miglio comenta o álbum Delírio Coletivo e defende mais espaço para o tema da saúde mental na música.
O programa Trilha das Artes, apresentado por Mônica Montenegro, recebeu a cantora e compositora Marina Miglio, vocalista da banda mineira Lamparina. Conhecida por misturar pop, rock, reggae e ritmos brasileiros em uma sonoridade bastante própria, a banda vive um momento de amadurecimento artístico com o álbum mais recente, Delírio Coletivo, que aborda temas como saúde mental, liberdade e os padrões impostos pela sociedade.
Durante a conversa, Marina contou que a relação com a música começou ainda na infância, dentro de casa, em meio ao violão do pai, à percussão do avô e ao canto da mãe. Nascida em Belo Horizonte e criada em Teófilo Otoni, ela entrou na Lamparina depois que a vocalista anterior deixou o grupo. Indicada por um amigo em comum, fez uma espécie de audição com os outros integrantes, Cotô e Calvin, e só recebeu a confirmação de que entraria para a banda um mês depois. Segundo ela, a composição só passou a fazer parte da sua rotina durante a pandemia, período em que buscou se aproximar da música mesmo distante dos palcos.
Criada em uma região de forte influência baiana, Marina relatou que suas primeiras referências vieram do pagodão baiano e do brega, e que o contato com nomes da MPB, como Djavan, Caetano Veloso, Rita Lee e Gilberto Gil, aconteceu depois, já dentro da banda, por influência dos colegas. Essa mistura de vivências individuais, segundo ela, explica o processo criativo da Lamparina: as músicas costumam nascer sozinhas, com cada compositor em casa, e depois são construídas coletivamente nos arranjos, o que resultou em um som difícil de rotular e que se tornou a própria identidade do grupo.
A saúde mental foi o centro da entrevista. Marina afirmou que o tema, ainda pouco discutido nas principais plataformas de comunicação, foi trazido por ela para a banda a partir de experiências pessoais, e acabou sendo abraçado pelos colegas, que acompanharam de perto o que ela viveu. Para a cantora, falar sobre o assunto no palco é uma forma de reforçar a importância da luta antimanicomial, especialmente em um país apontado como o mais ansioso do mundo. Mesmo reconhecendo que Delírio Coletivo não é um disco pensado para ser popular, ela destacou que a resposta do público, principalmente dos fãs da banda, tem sido muito positiva.
A entrevista também foi temperada pelas escolhas musicais da convidada: Podres Poderes, de Caetano Veloso, e Na Pressão, de Lenini em parceria com Braulio Tavares e Sérgio Natureza, faixas que ajudam a situar as referências de Marina Miglio dentro da música popular brasileira.
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