
Alice Stefânia fala de teatro, pesquisa e trilha sonora no Trilha das Artes
Atriz e professora da UnB conta como uniu cena, pesquisa acadêmica e criação coletiva, com músicas de Tom Zé, Juliana Linhares e BaianaSystem.
O Trilha das Artes desta semana recebeu a atriz, diretora, pesquisadora e professora Alice Stefânia, cria de Brasília que construiu uma trajetória dedicada a aproximar a prática teatral da pesquisa sobre corpo, performance e criação coletiva. Professora da Universidade de Brasília desde 2010, ela coordena ao lado de Rita de Almeida Castro o grupo de pesquisa Poéticas do Corpo, ligado ao Teatro do Instante, companhia que reúne parceiros de criação há cerca de 15 anos.
Na conversa com a apresentadora Mônica Montenegro, Alice relembrou que o encontro com a arte aconteceu ainda na escola pública, em aulas de artes cênicas, antes de um primeiro vestibular não aprovado para comunicação. Foi em cursos de teatro, e depois na universidade pública, que ela consolidou o interesse pela linguagem atorial. A artista destacou a influência da performer Bia Medeiros, com quem pesquisou no coletivo Corpos Informáticos, como decisiva para que se autorizasse a ser, segundo suas palavras, uma criadora pesquisadora.
Alice também detalhou o funcionamento do Poéticas do Corpo, que abriga orientandos de mestrado, doutorado e TCC em discussões teóricas, e do Teatro do Instante, onde essas reflexões ganham dimensão laboratorial, investigando a relação entre corpo, tempo e espaço, inclusive em espetáculos realizados fora de teatros convencionais. Segundo ela, o processo de criação é sempre coletivo, com forte escuta ao que cada ator e atriz traz para a experimentação cênica.
A trilha musical escolhida pela convidada passou por Tom Zé, cuja música ela relacionou à coexistência de contradições, tema que também explorou em sua tese de doutorado ao estudar a sabedoria taoísta. Também tocaram Juliana Linhares e Rafael Barbosa, com uma canção que Alice aproximou de Pessoa Nefasta, de Gilberto Gil, por tratar da crítica a figuras tóxicas na vida pública. Fechando a seleção, BaianaSystem e Elza Soares trouxeram Libertação, elogiada pela sonoridade vibrante e dançante do grupo.
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