
Robson Nunes relembra carreira e reverencia Tim Maia no Trilha das Artes
Ator e cantor fala sobre viver Tim Maia duas vezes, a infância marcada pelo humor e referências como Oton Bastos e Tony Tornado.
O ator, cantor, diretor, dublador e humorista Robson Nunes foi o convidado da Mônica Montenegro no programa Trilha das Artes, que recebeu o artista paulista para uma conversa repleta de memórias afetivas e música de swing. A entrevista começou pela infância de Robson, por volta dos 12 anos, quando uma brincadeira de família durante uma viagem revelou seu talento para a imitação. Segundo contou, foi o irmão do meio, Ronaldo, quem percebeu sua vocação artística e o incentivou a procurar um curso livre de teatro no bairro onde morava, o que deu início à sua trajetória nos palcos.
Robson relembrou ainda a importância de Malhação em sua formação, primeiro trabalho na TV, onde interpretou o personagem Savinho. Ele descreveu a novela como uma grande escola e destacou a convivência com nomes como Oton Bastos, que transformou uma simples frase de roteiro em uma aula de atuação, e o saudoso Milton Gonçalves. Foi também em Malhação que Robson contou ter descoberto sua negritude, ao viver um personagem que sofria preconceito, o que o levou a buscar referências na literatura e em figuras como Martin Luther King e Malcolm X.
O tema central da conversa, porém, foi Tim Maia, personagem que Robson viveu duas vezes, no especial Por Toda Minha Vida e no longa-metragem Tim Maia, dirigido por Mauro Lima. Ele relatou que estudou o cantor por dois anos e que o processo mudou sua relação pessoal e artística com a música, a ponto de ainda hoje encontrar gravações de Tim Maia que desconhecia. Da experiência também nasceram os projetos musicais Ensaiando Tim e Baile de Responsa, além de uma amizade duradoura com Babu Santana, que interpretou o Tim Maia mais velho no cinema enquanto Robson deu vida à fase jovem do artista.
Robson aproveitou a sua seleção musical no programa para homenagear outras referências da soul music brasileira, como Tony Tornado, com quem dividiu o palco no Caldeirão cantando Descobridor de Sete Mares, e Wilson Simonal, que classificou como um artista injustiçado por assumir sua negritude e consciência política em uma época que isso incomodava o regime militar. Ele encerrou a participação destacando como a música sempre esteve presente em sua vida, inclusive como ferramenta de preparação para seus trabalhos como ator.
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